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Feliz aniversário, filme querido!

publicado: 06/01/2026 08h50, última modificação: 06/01/2026 08h50
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Emily Blunt em “Dia D”, de Steven Spielberg: filme será um dos que marcará o ano de 2026? | Foto: Divulgação/Universal

por André Cananéa*

Ano novo chegando e, claro, os cinéfilos começam a olhar para trás, à luz dos aniversários que os filmes fazem em 2026. Neste ano, por exemplo, iremos comemorar o cinquentenário de obras-primas que seguem relevantes e influentes, sobretudo entre as novas gerações. É o caso de Carrie, A Estranha, de Brian De Palma, que inspirou obras recentes como A Substância (2024); Rocky, Um Lutador, de John G. Avildsen, estrelado por Sylvester Stallone, o primeiro de uma franquia de sucesso e que rendeu, ainda, três estatuetas no Oscar 1977; e um dos filmes mais comentados e falados da história, obra quintessencial de Martin Scorsese, Taxi Driver, estrelado por Robert De Niro, Cybill Shepherd e Jodie Foster, ainda adolescente.

Também festejam 50 anos neste ano os obrigatórios Todos os Homens do Presidente, thriller político de Alan J. Pakula, estrelado por Dustin Hoffman e Robert Redford, sobre o escândalo Watergate que provocou a renúncia do então presidente Richard Nixon, e Rede de Intrigas, uma crítica mordaz à televisão (que segue bastante atual), dirigida por Sidney Lumet e estrelada por Faye Dunaway e Robert Duvall; e ainda dois títulos cult: o drama erótico O Império dos Sentidos, de Nagisa Ôshima, que chocou o Brasil conservador da ditadura; e a ficção científica O Homem que Caiu na Terra, estrelada pelo ícone da música David Bowie. Além do mais, foi o ano de Dona Flor e Seus Dois Maridos, de Bruno Barreto, com Sônia Braga no elenco.

Olhando aqui na minha frente uma linha do tempo com intervalos de dez anos, é curioso observar como a dominação norte-americana vai perdendo força, sobretudo na virada do século. Se, em 1986, filmes como Veludo Azul (David Lynch); Conta Comigo (de Rob Reiner, falecido recentemente); Hannah e Suas Irmãs (Woody Allen); Platoon, vencedor de quatro prêmios Oscar, incluindo Melhor Filme; e Salvador – O Martírio de um Povo (ambos de Oliver Stone) mobilizavam a crítica e as bilheterias, e faziam de Hollywood uma fábrica de dinheiro.

Falando em bilheteria, bastava apenas Top Gun: Ases Indomáveis (de Tony Scott, estrelado por Tom Cruise) para garantir sacos de dinheiro nas mãos dos produtores de cinema. Lançado naquele ano, o título se tornou um dos dez filmes mais rentáveis da década de 1980. É bom lembrar que 1986 também rendeu o adorado Curtindo a Vida Adoidado (de John Hughes), A Mosca (de David Cronenberg) e Aliens – O Resgate (de James Cameron, atualmente em cartaz com o terceiro filme da saga Avatar).

Mas apenas 20 anos depois, após um 1996 fraco de lançamentos (à exceção de Fargo, Pânico, Trainspotting e O Paciente Inglês), o cenário era outro. Em 2006, a produção dos mexicanos Alfonso Cuarón (Filhos da Esperança, estrelado por Clive Owen, Julianne Moore e Michael Caine), Guillermo del Toro (O Labirinto do Fauno, vencedor de três Oscars) e Alejandro González Iñárritu (Babel, com Brad Pitt e Cate Blanchett) mostrou força e prestígio para fora da América, ombreando em importância com o cinema de Martin Scorsese (Os Infiltrados, vencedor de quatro Oscars, incluindo Filme e Direção), Clint Eastwood (Cartas de Iwo Jima) e Stephen Frears (A Rainha, estrelado por Helen Mirren, vencedora do Oscar pelo papel). Também nesse ano, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas consolidou o chamado “cinema independente”, distribuindo estatuetas para Pequena Miss Sunshine, de Jonathan Dayton e Valerie Faris (levou Ator Coadjuvante e Roteiro Original).

Contando mais dez anos à frente, o cinema independente mostra toda a sua força, ao ter filmes como Moonlight: Sob a Luz do Luar, de Barry Jenkins, e Manchester à Beira-Mar, de Kenneth Lonergan, reconhecidos com múltiplos Oscars, junto com o celebrado La La Land: Cantando Estações, de Damien Chazelle, agora já devidamente encaminhado para ser chamado de “clássico” (termo que se dá quando a obra completa dez anos de seu lançamento).

Há outros três filmes que celebram dez anos também em 2026 e têm sido constantemente festejados por público e crítica desde que foram lançados: A Chegada, intrigante ficção científica de Denis Villeneuve; o drama iraniano O Apartamento, de Asghar Farhadi; e O Lagosta, do grego Yorgos Lanthimos, comédia esquisita estrelada por Colin Farrell, Rachel Weisz e Léa Seydoux e que antecede obras marcantes do diretor, como A Favorita e Pobres Criaturas.

Acredito que 2026 também será um grande ano para o cinema. De largada, já sabemos que iremos assistir a novos filmes de três super diretores: Steven Spielberg (Dia D), Christopher Nolan (A Odisseia) e Denis Villeneuve (Duna: Parte 3), sem falar nas (cada vez menos) badaladas produções de super-heróis, continuações super aguardadas, live-actions, filmes brasileiros e paraibanos. O ano promete!

*Coluna publicada originalmente na edição impressa do dia 06 de janeiro de 2026.