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Painho, mainha morreu!

publicado: 08/06/2026 08h56, última modificação: 08/06/2026 08h56

por Gonzaga Rodrigues*

Foi o que li nesta última quarta-feira, 3, ao abrir a página para chegar de espírito abertoà bem humorada crônica semanal de Luiz Augusto de Paiva e deparar com o imprevisto já um mês depois de ocorrido.

José Octávio, saindo do estilo do expositor,do articulista veterano, muda de tom, o comentário semanal transmudado numa elegia a Amável, Amavel Maria,nome feito para  sua exclamação, esposa e companheira durante cinquenta e seis anos de vida em comum, onde estava um vendo-se os dois. E despreguei-me do tempo e do jornal, ao me confrontar com a notícia  e o modo como pai e filho se viram partidos.

De jornal largado às pernas, entra-me de sala adentro, aqui nos Expedicionários, o salão burocráticodo Palácio de fins dos anos Cinquenta, naquele  mesmo cenário que tentei reviver com outra funcionária, Ismália Borges, a regente do expediente lembrada nas “Notas do meu lugar”, meu primeiro livrodevivência com a cidade e sua gente. Não lembra, agora, naquela fase cerimoniosa ambientada em Palácio, se esse rosto fiel às mesmas feições já pertencia a seus quadros. Certamente que não, dada, entre nós, a grande diferença de idades. Mas vem dessa convivência no trabalho, cerceada em nossos passos pela solenidade do ambiente em que nos conhecemos, jovens de outras serranias,advindos do interior. Pouco depois conquistei a amizade de Miguel Targino, seu irmão, chegado de Araruna e hóspede como eu do quarto que a API e José Leal reservava para os jornalistas visitantes. Ocupávamos indebitamente, eu por ser tesoureiro e Miguel por vir da terra de minhas primeiras grandes amizades sedimentadas no Pio XI de Campina, José Moura e Tota dos Carneiro da Cunha.

Na página que volta a escrever nas primeiras semanas de luto, o confrade José Octávio, entres as demais virtudes, realça comovido que todo mundo era amigo de Amável Maria, “beneficiário do seu companheirismode amizade e amor.” Elinhas adiante: “Tinha a qualidade de não alimentar ódios” e “Não apoiava meus destemperos.”

É sobretudo nisto, creio, que conservo da jovem funcionária de Palácioa dívida de seu apego ao bom relacionamento. Não deve ter sido uma nem duas vezes que pôde interceder nos nossos “destemperos”, meus e de José Octávio, ele membro de uma família que me fez cruzar os seus batentes como se fosse um conterrâneo ou mesmo a ela pertencesse. Era a casa de D. Otília, na Santos Dumont, família que não havia nome que não a ilustrasse, desde Inalda de Arruda Mello com quem me defrontei numa mesa de Liceu para convalidar os dois anos de ginásio que eu trazia na bgagem de retirante. Família sem anônimos, a partir do chefe, Doutor Arnaldo, integrante da equipe de agrônomos que deu nome à Paraíba na produção  de qualidade do seu algodão, da sua pecuária e, dependesse da sua intervenção na nossa agricultura, estaríamos em outro patamar na fruticultura nordestina.

Com atraso, peço desculpas à família por não ter chegado em tempo com o pesar que não se encerra no aperto de mãos.

*Coluna publicada originalmente na edição impressa do dia 07 de maio de 2026.