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O tamanho da felicidade

publicado: 06/03/2026 09h24, última modificação: 06/03/2026 09h24
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A colunista lançou O caminho invisível na Livraria A União na quarta passada | Foto: Divulgação/Marca de Fantasia

por Sandra Raquew Azevêdo*

As vezes a gente tem até medo do tamanho da felicidade. Mesmo que a felicidade não possa ser medida. Mas há momentos que a gente sente algo imenso dentro do peito. Quando isso acontece falta até palavras.

Em alguns momentos eu já senti medo do estado de felicidade. É um sentimento ambíguo. Mas há momentos em que podemos estar muito felizes e assustados.

Na última quarta-feira, lancei o livro “O caminho invisível”. Durante o lançamento estava assombrada de felicidade. Feito criança. Não sei se meus olhos pareciam arregalados, mas por dentro tinha olhos de personagem de anime – desenho japonês.

Olhava as pessoas na plateia e sentia uma profunda gratidão. Um sentimento bastante visceral de afeto, tomada pela percepção do milagre da vida. Observava o espaço físico daquele lugar não como uma reta, mas como uma espiral em que na caminhada da vida fui encontrando as pessoas que estavam ali. O tempo é ancestral mesmo.

Passado, presente e futuro não como uma linha reta. Agradeci as pessoas presentes pela tessitura daquele momento. Estávamos ali costurando juntas a partilha da vida, dos sonhos. Estávamos ali também reivindicando um outro tempo e lógica para melhor viver. Estávamos horrorizados e horrorizadas com as guerras, e querendo a Paz.

Fico pensando no sentimento das borboletas ao perceberem a chegada das asas. A experiência de seus primeiros voos.  Com sentimentos de borboleta eu agradeço a todas as pessoas que estiveram presentes, e aos ausentes que sempre estarão comigo, sorrindo, acolhendo minhas lágrimas e, mesmo achando algumas das minhas ideias um pouco estranhas, soltando sorrisos porque a vida junto é divertida.

Durante a semana eu senti uma felicidade grande ao encontrar alunos e alunas, e ex-alunos e alunas trabalhando, vivendo intensamente sua carreira profissional em diferentes meios de comunicação. Felicidade de professora, e de colega de profissão. O jornalismo é uma carreira profissional desafiadora, sedutora, preciosa e intensa.

Aqui eu agradeço a todas as pessoas que desenharam comigo aquele instante de felicidade compartilhada, de abraços, de uma noite enluarada, de reencontros, de chegada de novas pessoas. Agradeço por se permitirem viver aquela brecha no Tempo, no meio da semana para estarmos em comunhão ali.

Pensei muito enquanto divulgava o lançamento do livro no tempo de comunhão, o tempo comunitário, e ainda nas horas que parecem escassas. De quanto a gente reclama a necessidade do tempo para si mesmo, e a necessidade, urgência,  de apreciarmos um tempo comum e sem pressa.

Meu ser é gratidão pelo tempo vivo da memória em que se inscrevem as histórias comuns. Em que testemunhamos a vida como um milagre. Um tempo que, em união, contestamos toda e qualquer forma de violência. Quando lado a lado buscamos assegurar uma cultura de paz.

Eu fui tomada de uma emoção muito linda ao ver o rosto das pessoas sorrindo. Porque cada sorriso era como se fosse uma estrela iluminando a escuridão do tempo presente. Estrelas lutando contra mísseis que caem em muitos corpos inocentes.

Reanimar o mundo. Encarnar as palavras no limiar de uma ética porque elas fertilizam a vida da gente. Porque “o Verbo se fez gente e habitou entre nós”.

Gratidão a todas as pessoas que são parte bela da jornada de bordar a vida, fazendo o cotidiano acontecer com integridade.

*Coluna publicada originalmente na edição impressa do dia 06 de março de 2026.