A impressão de que as cidades paraibanas estão crescendo para cima ganhou mais uma confirmação nos números divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A Pesquisa Anual da Indústria da Construção (Paic) 2024 mostra que a construção civil da Paraíba ultrapassou pela primeira vez a marca de R$ 5 bilhões em valor de incorporações, obras e serviços realizados no estado. O resultado representa um crescimento de 16% em relação a 2023.
Desse total, a maior parte teve origem na construção de edifícios, responsável por 58,2% do montante, o equivalente a R$ 2,9 bilhões. As obras de infraestrutura responderam por 30,1% (R$ 1,5 bilhão), enquanto os serviços especializados para construção representaram 11,7% (R$ 590 milhões).
Para Leonardo Bronzeado, sócio da Eco Construtora, o desempenho está diretamente ligado às condições macroeconômicas mais estáveis no estado e ao crescimento do turismo. Ele associa esse resultado, ainda, às características urbanísticas que diferenciam João Pessoa de outras capitais brasileiras e ao processo de descoberta do potencial imobiliário do estado por investidores de diferentes regiões do país.
“Eu pontuo muito essa questão positiva do controle urbanístico de João Pessoa, que proíbe a construção de espigões na orla. Isso foi muito diferencial. Quem é daqui até se questiona como os potenciais da cidade não foram descobertos antes”, afirma.
Mais empresas e empregos
Outro dado que chamou atenção na pesquisa foi o aumento do número de empresas atuantes no setor. Em apenas um ano, a quantidade de construtoras e empresas da construção com cinco ou mais empregados saltou de 831 para 1.080, um crescimento de aproximadamente 30%. Para Leonardo Bronzeado, o avanço revela a atratividade do mercado imobiliário paraibano e o surgimento de novos concorrentes.
“Hoje realmente existem muitas construtoras. Toda semana eu tenho que aprender dois ou três nomes novos que entram no mercado. Um mercado grande atrai novos entrantes, mas, com o tempo, acaba havendo uma seleção natural. Alguns vão se tornar grandes construtores e outros talvez não”, avalia. Na análise do empresário, o aumento da concorrência também força as empresas já estabelecidas a buscar mais eficiência no mercado de trabalho.
O número de pessoas ocupadas na construção civil formal da Paraíba passou de 27.602 em 2023 para 35.400 em 2024, uma alta de 28,3%. De acordo com a Paic, as empresas do setor pagaram R$ 902,8 milhões em salários, retiradas e outras remunerações ao longo do ano. A construção de edifícios concentrou tanto o maior número de trabalhadores quanto a maior parcela da massa salarial.
Se por um lado os números indicam geração de emprego e renda, por outro começam a expor um desafio enfrentado pelas empresas: a disponibilidade de mão de obra qualificada. “Está difícil. Realmente preocupa a gente na construção civil. É um bom desafio, porque mostra que o desemprego está baixo no setor, mas também reforça a necessidade de investir em tecnologia e mecanização para conseguir fazer mais com menos”, afirma Bronzeado.
As perspectivas para os próximos anos seguem positivas, segundo o empresário. Embora evite fazer previsões de longo prazo, ele acredita que o ciclo de crescimento ainda deve continuar nos dados mais recentes. “Acredito que os resultados de 2025 e 2026 continuarão crescendo. Mas, para o futuro, é difícil prever. Nenhum crescimento é eterno”, conclui.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 11 de junho de 2026.