Notícias

Reajuste

Preço do botijão de gás de cozinha aumenta R$ 10

publicado: 07/04/2026 09h28, última modificação: 07/04/2026 09h28
Segundo Sinregás-PB, alta sofre influência dos conflitos no Oriente Médio
2025.02.17 gás de cozinha © Carlos Rodrigo (16).JPG

Parte dos revendedores ainda suspendeu temporariamente participação no Gás do Povo | Foto: Carlos Rodrigo

por Joel Cavalcanti*

O preço do gás de cozinha teve um novo reajuste na Paraíba. O botijão de 13 kg passou de R$ 110 para R$ 120, um aumento de cerca de 9%, segundo o Sindicato dos Revendedores de Gás da Paraíba (Sinregás-PB). A elevação começou a ser aplicada desde ontem e deve alcançar todos os pontos de venda à medida que as distribuidoras repassam os novos valores.

O reajuste combina dois fatores influenciados pelos conflitos no Oriente Médio: o encarecimento do próprio gás e a alta no custo do transporte, puxada pelo diesel. O presidente do Sinregás-PB, Marcos Antônio Bezerra, aponta que o cenário internacional está por trás da alta recente. “Subiu o gás de cozinha e subiu o frete, tudo ao mesmo tempo, porque o frete é regido pelo óleo diesel”, afirma. Na prática, o impacto combinado desses dois fatores representa quase a totalidade do aumento de
R$ 10 no botijão.

A mudança não ocorre de forma simultânea em todo o estado. Parte das distribuidoras iniciou o repasse imediato, enquanto outras devem ajustar os preços nos próximos dias. “O mercado por si só se regula. O gás era R$ 120 reais em setembro, mas caiu R$ 10 na ponta. Agora voltou a R$ 120 novamente”, diz Bezerra. O último reajuste havia sido registrado em setembro do ano passado. Naquele momento, o botijão chegou a R$ 120, mas acabou recuando para R$ 110 ao longo dos meses seguintes, influenciado pela dinâmica de oferta e demanda.

A nova alta também pressiona o funcionamento de programas sociais como o Gás do Povo, iniciativa em que o Governo Federal subsidia parte do valor do botijão para famílias de baixa renda. Na Paraíba, segundo o Sinregás-PB, o repasse atual é de R$ 92 por unidade, valor abaixo do preço praticado no mercado.

Com o reajuste, alguns revendedores já suspenderam temporariamente a participação no programa. “A liquidez para a gente é muito pequena. E, com esse aumento agora, zerou. A gente não tem condição, o preço do Gás do Povo que o governo paga é bem inferior ao que o consumidor paga. Quem vende o Gás do Povo hoje não está ganhando mais nada. O aumento comeu a nossa margem”, lamenta Bezerra.

Tanto a alta no valor do botijão quanto a medida de suspender a participação no programa Gás do Povo possuem um grande alcance. O estado conta com cerca de 1.400 revendedores, responsáveis pela comercialização de aproximadamente 840 mil botijões por mês. Segundo o IBGE, responsável pelo cálculo do IPCA, o gás de cozinha havia acumulado alta de 1,76% nos 12 meses encerrados em fevereiro. No mesmo período, o índice geral ficou em 3,81%.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 07 de abril de 2026.