Encerram-se amanhã as inscrições de artistas interessados em participar do 9o Festival de Música da Paraíba, que tem entre seus objetivos incentivar a criação musical e revelar talentos. Neste ano, o festival homenageia o compositor e músico Luiz Ramalho, nascido em Bonito de Santa Fé (PB) e falecido em 1981. As composições podem ser em qualquer gênero musical.
As inscrições podem ser feitas até as 23h59 de amanhã, pelo formulário de inscrição on-line, no endereço: radiotabajara.pb.gov.br/festivaldemusica. Esta edição ocorrerá nos dias 22 de maio (1a eliminatória), 23 de maio (2a eliminatória), no município de Bonito de Santa Fé, no Sertão, e 30 de maio de 2026 (finalíssima), no Teatro de Arena do Espaço Cultural José Lins do Rêgo, em João Pessoa.
O evento é realizado pelo Governo do Estado da Paraíba, por meio da Empresa Paraibana de Comunicação S.A (EPC), da Fundação Espaço Cultural (Funesc) e da Secretaria de Estado da Comunicação Institucional (Secom).
A premiação será de: 1o lugar: R$ 10 mil, 2o lugar: R$ 7 mil, 3o lugar: R$ 5 mil, Melhor intérprete: R$ 3 mil, Juri popular: R$ 5 mil. A comissão organizadora vai disponibilizar uma ajuda de custo de R$ 500 para candidatos selecionados que não residirem nas cidades-sede das eliminatórias e da final. Essa ajuda é para custeio de transporte, hospedagem e alimentação dos concorrentes.
Quem pode participar
Poderão participar artistas paraibanos com residência comprovada no território estadual ou artistas de outros estados, desde que igualmente comprovem ser residentes na Paraíba ao menos há dois anos; ter idade acima de 18 anos e com música autoral inédita. Considera-se inédita a composição que ainda não tenha sido objeto de comunicação ou transmissão ao público, sob qualquer forma, ou fixação de qualquer natureza, seja de forma integral ou parcial.
Dúvidas relacionadas ao festival deverão ser encaminhadas por meio do e-mail: festivaldemusica@radiotabajara.pb.gov.br.
Evento prestigia canções autorais e inéditas
O festival trabalha com os mais variados gêneros da música cantada, desde que seja comprovadamente autoral e inédita mediante declaração. Serão selecionadas 30 canções finalistas, 15 em cada eliminatória, e 10 suplentes, adotando como critério básico de seleção os princípios universais de construção de uma canção (harmonia, melodia/ritmo, criatividade/originalidade, poesia), além da percepção pessoal do profissional.
A votação popular ocorrerá no site do evento no período de 26 a 30 de maio 2026 até a execução da última música da final. A ordem das apresentações nas eliminatórias será definida mediante sorteio a ser realizado no dia 27 de março de 2026, às 14h30, na sede da Rádio Tabajara, durante a transmissão do programa Tabajara em Revista. A ordem das músicas concorrentes na final será feita mediante sorteio realizado no dia 26 de maio de 2026 às 14h30, na sede da Rádio Tabajara, durante a transmissão do programa Tabajara em Revista.
Propósito
Os objetivos gerais do festival são: incentivar a criação musical e revelar talentos; promover intercâmbio cultural entre artistas da capital e dos demais municípios paraibanos, proporcionando o fortalecimento da cultura musical paraibana — importante elemento de identidade de um povo. Ao mesmo tempo, o festival tem importante papel educativo e de fomento à cultura quando permite à população conhecer a diversidade e a criatividade da música paraibana.
Composições de sertanejo foram gravadas por artistas nacionais
Nascido em Bonito de Santa Fé e falecido em 1981, Luiz Ramalho teve, enquanto compositor, músicas gravadas por nomes como Luiz Gonzaga, Genival Lacerda e Elba Ramalho. Entre algumas das suas composições mais conhecidas, estão “Foi Deus que fez você”, “Veio d’água”, “Daquele jeito”, “Retrato de um forró”, entre outras.
Foi finalista dos três primeiros Festivais Paraibanos da MPB, no Theatro Santa Roza e no Clube Astrea. Obteve o segundo lugar no primeiro festival, em 1967, com a música “Meação”, interpretada por Gilson Reis e o Conjunto de Aldemir Sorrentino, e o primeiro lugar no segundo festival, em 1968, com a música “Tropeiro”, interpretada por Chico Zacarias e o Quarteto Som. Recebeu ainda o prêmio de Composição de Ouro com a música “Lagoa”, que destaca um importante ponto turístico da capital paraibana.
No início da década de 1970, Luiz Gonzaga gravou composições como “Facilita”, em 1973, “Daquele jeito” e “Retrato de um forró”, em 1974, “Roendo unha”, em 1976, e “Mangangá”, em 1978. Genival Lacerda também gravou diversas de suas músicas, entre elas “O homem que tinha três pontinhos”, “Estalo de Vieira”, “Rita caxeado”, “Cabeça chata”, “Nêga Zira” e “Sivuca”.
Destaca-se a canção “Cabeça chata”, parceria com seu compadre Luiz Nunes, que assinava como Lula de Ibiapina. Nas músicas de caráter jocoso, grande parte gravada por Genival Lacerda, utilizava o pseudônimo Luiz Santa Fé, em referência à sua cidade natal. Em 1976, Luiz Ramalho teve sua música “Amor em Jacumã” gravada no exterior por Dom Um Romão, músico que atuou como baterista de Frank Sinatra, Milton Nascimento, Baden Powell e Antônio Carlos Jobim, entre outros.
Luiz Ramalho faleceu em João Pessoa, no Hospital do Grupamento de Engenharia, em 18 de julho de 1981, vítima de leucemia, aos 50 anos, deixando mais de 30 músicas gravadas e várias obras inéditas.
Premiados na 8a edição
Em 2025, a canção “Deixa eu cantar aqui”, de Pricler e Pedro Medeiros, venceu a etapa final do 8o Festival de Música da Paraíba. A compositora também conquistou o prêmio de melhor intérprete do festival. Foi a segunda vez que a artista ocupou o pódio da premiação com os títulos de melhor canção e intérprete.
O segundo lugar foi para a composição “Beijo na praça”, composta por Juzé e Jefferson Brito. Em terceiro lugar, ficou a composição “Baque de realidade”, de Paulo Rafael e Karla Oliveira. A escolhida na votação popular foi a música “Nordestinês”, composta e interpretada por Vania Airam.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 12 de fevereiro de 2026.