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Asa verde

Projeto promove educação ambiental em Santa Rita

publicado: 13/04/2026 08h51, última modificação: 13/04/2026 08h51
Ação é uma iniciativa do MPPB em parceria com o IFPB e a gestão municipal
Ações do projeto Asa Verde nas escolas de Santa Rita - crédito divulgação IFPB (5 (7).jpg

Ao todo, já foram 10 escolas beneficiadas e mais de quatro mil alunos envolvidos | Foto: Divulgação/IFPB

por Samantha Pimentel*

Plantar hoje as sementes da sociedade que queremos para o amanhã. Essa é a ideia do projeto Asa Verde, uma iniciativa do Ministério Público da Paraíba (MPPB), em parceria com o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba (IFPB) — Campus Santa Rita, e a Prefeitura Municipal de Santa Rita (PMSR). A ação, que teve início no ano passado, leva atividades educativas para crianças e adolescentes, alunos da rede municipal de ensino, sobre a destinação correta dos resíduos, coleta seletiva e reutilização de materiais. Além disso, promove a arborização e o cuidado com o meio ambiente. Ao todo, já foram 10 escolas beneficiadas e mais de 4.700 alunos envolvidos. O projeto também já realizou 256 oficinas de educação ambiental e o plantio de 1.214 árvores nativas e coletou 2,3 toneladas de resíduos que foram encaminhados para reciclagem.

Além disso, as ações de comunicação do Asa Verde promoveram 218 publicações em mídias digitais e 21 inserções em rádio e televisão, divulgando ações do projeto e fortalecendo a mobilização da escola e da comunidade de uma forma geral, em prol do meio ambiente. A ideia é que a escola, reconhecida como um espaço de construção de conhecimento, possa estimular uma mudança em toda a sociedade local, sendo as crianças e adolescentes os multiplicadores desses aprendizados e hábitos de responsabilidade para com o território onde vivem. A promotora de justiça de Santa Rita, com atribuições na área criminal e ambiental, Miriam Vasconcelos, conta que a iniciativa já havia sido implementada por ela em outros municípios onde atuou.

“Quando cheguei aqui, em Santa Rita, também procurei os parceiros, que abraçaram a ideia, e, de lá para cá, a gente não parou mais. O projeto aconteceu em 2025 e vamos ter continuidade, com o lançamento da edição 2026 nos próximos dias”, afirma. A promotora conta que a ação com os alunos vem ajudando a levar mais consciência ambiental para as famílias onde estão inseridos. “Eu fiscalizei as ações, e o que pude constatar é que as pessoas que participaram se apaixonaram pela causa, viraram ativistas ambientais, de não admitir ver um papel no chão. Famílias que agora separam seu lixo porque o filho fez parte do projeto na escola e ensinou aos pais. E eu acredito que isso é um processo sem retorno, que a gente muda a consciência das pessoas pela educação”, ressalta.

ODS e ONU

Ela destaca ainda que o projeto está alinhado com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), plano de ação global estabelecido pela Organização das Nações Unidas (ONU), e que provocou outras ações do MPPB. “Foi expedida uma recomendação para que o município de Santa Rita implementasse políticas públicas e campanhas publicitárias sobre o consumo sustentável. Também conseguimos, no ano passado, não só aqui como em Cruz do Espírito Santo, implementar na grade curricular dos alunos a disciplina Educação Ambiental, e instauramos procedimento ainda para que os dois municípios tivessem pontos de coleta de lixo eletrônico e de óleo de cozinha, que antes não havia”, afirma ela, que explica que em Santa Rita esse processo ainda está em andamento, para efetivação, o que já aconteceu em Cruz do Espírito Santo. “Também cobramos dos dois municípios um plano municipal de arborização e expedimos recomendação sobre descartes irregulares da construção civil. Todas essas necessidades foram sendo evidenciadas por causa do Asa Verde”, pontua.

Ações

O professor Inakã Barreto, diretor de Ensino do IFPB —  Campus Santa Rita e coordenador-geral do Projeto Asa Verde, explica que, após o MPPB apresentar a proposta, a instituição estruturou as ações. “A gente modelou um projeto com 60 estagiários do IFPB Campus Santa Rita, todos do 3o ano do curso técnico de Meio Ambiente, integrado ao ensino médico. Formamos esses estagiários, demos uma capacitação inicial, além do curso, para eles atuarem como multiplicadores de educação ambiental nas escolas. Então eles foram para 10 escolas, trabalhar com crianças do Fundamental I e II, sob dois pilares: coleta seletiva e arborização”, afirma.

Inakã enfatiza que o grande objetivo do projeto é ajudar a construir uma maior consciência ambiental nas futuras gerações. “Santa Rita tem a capacidade de recolher 100% dos resíduos; porém, disso tudo que ela recolhe, 99,8% vai para o aterro sanitário. Ou seja, não vai para a reciclagem; só 0,02% é reciclado, muito pouco. Então a ideia desse projeto é que seja geracional. Ano após ano, a gente vai formando uma geração de crianças, jovens, que serão futuramente adultos preocupados com as questões ambientais, sabendo onde é que tem que descartar corretamente o resíduo”, ressalta. O secretário de Meio Ambiente da PMSR, Vital Madruga Filho, conta que a prefeitura investiu cerca de R$ 130 mil no projeto durante o ano de 2025, custeando as bolsas dos estagiários do IFPB e os materiais necessários para realização das atividades.

Vital também destaca a importância e o impacto da iniciativa para o município: “Além da gente trabalhar com a educação ambiental, fomentando, nas nossas crianças e adolescentes, o dever de responsabilidade com a casa comum, também percebemos impactos com relação ao sistema de coleta seletiva. Foram feitas diversas gincanas, oficinas, onde foram arrecadadas mais de duas toneladas de recicláveis, direcionados à cooperativa, o que gerou renda”, ressalta, citando ainda que a arborização local foi outro benefício, promovendo o plantio de árvores em praças, canteiros e outras áreas. Por sua atuação, o projeto também rendeu premiações, uma delas do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e outra da ONU, como Cidade Árvore do Mundo (Tree City of the World). “Foram reconhecimentos a um projeto exitoso, que vem dando frutos e seguramente trará muitos outros para a cidade”, pontua. 

Materiais foram doados a uma cooperativa

Os materiais recicláveis arrecadados durante as gincanas e ações do projeto foram destinados à Cooperativa de Trabalho dos Catadores de Materiais Recicláveis do Marcos Moura (Cooremm), que também atuou na formação dos estagiários do IFPB, multiplicadores dos conhecimentos nas escolas. O gestor ambiental da instituição, Antônio Carlos Macedo de Amarantes, destacou que a ação gerou renda para os cooperados. “A Cooremm, após a coleta em cada escola, levou esses materiais para o galpão, segregou, quantificou e comercializou, gerando renda para 26 cooperados e aproximadamente 150 famílias de catadores da região”, pontua ele, que diz que o projeto fortaleceu o trabalho que já vem sendo desenvolvido pela cooperativa há 16 anos. “Através dos adolescentes e da juventude, é possível replicar esse conhecimento, seja em suas residências, com suas famílias, ou na própria escola. E nosso intuito, como cooperativa, seria transformar essas escolas em pontos de coleta, o que iria agregar muito para a comunidade no entorno”, destaca, explicando que isso foi proposto para a coordenação do projeto.

Mas não só os alunos das escolas municipais tiveram a oportunidade de adquirir novos conhecimentos e experiências, mas os estagiários do Asa Verde também. Uma delas foi Nycolle Benício, que conta que a oportunidade lhe trouxe novas perspectivas. “Pude perceber que o avanço da nossa sociedade só podia se dar a partir da construção de um pensamento de responsabilidade ambiental, enxergando as crianças e adolescentes como principais agentes dessa causa. O projeto também me fez trazer à tona tudo o que tinha aprendido teoricamente, só que agora na prática, e, como profissional, tudo isso me fez enxergar desafios de outras formas e saber que é possível superá-los”, ressalta.

Para 2026, o Asa Verde deve manter sua atuação junto às mesmas escolas, alterando apenas uma, com o objetivo de garantir a continuidade das ações e consolidar as práticas que já vêm sendo desenvolvidas, em prol da sustentabilidade e do cuidado com o meio ambiente.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 12 de abril de 2026.