Fruto da dissertação de mestrado escrita e apresentada há quase 40 anos, o livro O Teatro na Educação Popular: diálogos entre Freire e Boal em uma experiência no bairro Mandacaru, da professora e ativista cultural campinense Eneida Agra Maracajá foi lançado ontem (16), no Miniteatro Paulo Pontes, em Campina Grande.
A pesquisa de Eneida — agora transformada em livro — traz adições e revisões da dissertação de mestrado em Educação defendida pela autora, em 1985, junto à Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Para a professora, mesmo escrita há quase quatro décadas, a obra ainda se mostra de grande relevância para o debate em torno da cultura e da educação brasileira.
“Se fizermos uma análise de mundo hoje, podemos atestar que estamos desenvolvidos cientificamente e tecnologicamente, mas como vai a humanização? A ciência evoluiu e é maravilhosa, fomos para a lua novamente, mas não acabou a fome, a miséria, as desigualdades sociais e a necessidade de educação. Se sofre de tudo: guerras, mediocridade, alienação. Por isso, dentro desse contexto sócio-político-econômico-cultural, o trabalho não é velho”, afirmou Eneida.
A obra aborda o diálogo entre as ideias de Paulo Freire — especialmente presentes na formulação da Pedagogia do Oprimido — e as técnicas do Teatro do Oprimido, criadas pelo dramaturgo brasileiro Augusto Boal. Um dos principais objetivos da autora ao realizar a pesquisa foi reafirmar seu compromisso com uma educação culturalizada, princípio que segue presente em sua trajetória até os dias atuais.
“A cultura não pode ser desvinculada da educação, porque, se isso acontecer, nem a cultura será cultura, nem a educação será educação. Trata-se de uma questão filosófica. É possível separá-las em ministérios ou secretarias, por exemplo, mas não no campo das ideias. A cultura é ato criador, é o alicerce do edifício social. Ninguém chega a lugar nenhum sem memória, sem cultura e sem democracia”, destacou a professora.
O livro O Teatro na Educação Popular: diálogos entre Freire e Boal em uma experiência no bairro Mandacaru foi lançado por meio de uma parceria entre a Editora A União e a Editora da Universidade Estadual da Paraíba (Eduepb). Essa é a terceira publicação d’A União dedicada ao teatro paraibano.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 17 de abril de 2026.