Autora de oito livros no campo da Comunicação Social, a professora e pesquisadora da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) Sandra Raquew Azevêdo debutou, na noite de ontem (04), entre as prateleiras destinadas às crônicas. A Livraria União sediou o lançamento do livro O caminho invisível, publicado pela editora Marca de Fantasia.
A obra reúne textos publicados por Azevêdo em sua coluna no jornal A União, durante os quatro meses que passou em uma capacitação em Portugal, de 2024 a 2025. A ideia do livro veio apenas no seu retorno ao Brasil, quando percebeu que havia um compilado de vivências marcadas tanto pelo simbólico como pelo real, que ela trazia nas linhas publicadas no periódico.
“O livro foi moldado dentro do próprio percurso”, explica a autora. “Eu não tinha claro, por exemplo, naquele momento, que ali eu estava fazendo um livro, mas o compromisso de me manter como cronista, dentro do espaço do jornal, foi muito importante, porque acabou se construindo uma narrativa. Às vezes, ela não é tão linear, mas, ao mesmo tempo, ela é circular, é uma espiral, de muitos acontecimentos que se desenham naquele tempo-
-espaço”, aponta.
A pesquisadora revela que as crônicas do livro, pela sua natureza, passeiam pelas marcas do real, daquilo que se está vivendo e experienciando, ao mesmo tempo em que conseguem trazer para a visibilidade o campo do simbólico, do subjetivo e das leituras de mundo a partir da escrita da palavra. Perpassam os escritos também referências do lido, do encontrado, do visto.
“Foi muito importante ter esse lugar de observadora. Eu acho que foi uma experiência também como jornalista de aguçar um pouco o olhar como observadora, porque eu me acho muito dispersa, mas acho que teve aquele interesse de me adaptar à integralidade de um tempo que era dedicado também a manter o espaço de cronista, de narrar o cotidiano, de narrar coisas que estavam no espaço factual e não factual”, afirma Sandra. Há ainda marcações de gênero, trazendo a percepção da mulher que está narrando e escrevendo, “uma mulher viajando sozinha, encontrando outras mulheres que estavam viajando sozinha, e todas naquela solidariedade feminina na trajetória”.
Prefácio
Na noite do lançamento, ocuparam a mesa, ao lado de Sandra Raquew, o editor da Marca de Fantasia, Henrique Magalhães, e a professora, escritora e também colunista de A União, Ana Adelaide Peixoto, que assina o prefácio do livro. “Sandra não é uma turista, ela é uma viajante, porque as impressões dela de viagem são impressões que têm mais a ver com a subjetividade do que propriamente com os lugares. Têm também sobre os lugares, mas essas impressões subjetivas é que interessaram a ela e que interessam a mim. É um livro sobre filosofia, sobre a arte de viajar, sobre a arte de observar”, conclui Ana.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 05 de março de 2026.