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Vini brilha e Brasil avança como líder

publicado: 25/06/2026 09h00, última modificação: 25/06/2026 09h00
Atacante comandou a vitória da Seleção sobre a Escócia, por 3 a 0, em jogo também marcado pelo retorno de Neymar
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O camisa 7 balançou as redes duas vezes, em noite selada por mais um gol de Matheus Cunha | Foto: Cristobal Herrera-Ulashkevich/EFE/EPA

por Ricardo Magatti (Agência Estado)*

Ninguém joga mais futebol com a camisa da Seleção Brasileira do que Vinicius Junior. Terminada a fase de grupos da Copa do Mundo para o Brasil, está fácil constatar que o camisa 7 assumiu o protagonismo esperado e se tornou o “dono” do time. Foi ele quem liderou a equipe na vitória por 3 a 0 sobre a Escócia, ontem, em Miami (EUA) — o que garantiu a Seleção na segunda fase do torneio, como líder do Grupo C.

Na próxima etapa, a de 16-avos de final — que será o primeiro mata-mata, antes das oitavas —, o Brasil terá pela frente o segundo colocado do Grupo F. O adversário — Holanda, Japão ou Suécia — será conhecido hoje. O local e a data do duelo já estão definidos: NRG Stadium, em Houston (EUA), na próxima segunda-feira (29), às 14h (de Brasília).

Protagonismo

Se, por muito tempo, foi Neymar a referência técnica do grupo, hoje, todos em campo procuram Vini Jr., que passou a ser capaz de reproduzir, com a camisa do Brasil, as apresentações de brilho que faz no Real Madrid e o levaram a ser eleito o melhor do mundo em 2024.

Seis dos sete gols brasileiros no Mundial tiveram a participação do atacante, autor de quatro deles. Ontem, no Hard Rock Stadium, ele se valeu dos erros defensivos da Escócia, que mostrou não ter qualidade para construir as jogadas de pé em pé, desde o goleiro, diante da pressão do ataque brasileiro.

Titular na vaga do lesionado Raphinha, Rayan aproveitou a chance e fez com competência seu papel, pela ponta direita do ataque. Foi ele que interceptou o zagueiro McKenna no lance que resultou no primeiro gol de Vini Jr., aos seis minutos. O atacante teve tempo e calma para driblar o goleiro antes de empurrar para a rede.

Nem foi preciso fazer uma magistral apresentação em Miami. Bastava ter inteligência para explorar as falhas da zaga escocesa, em noite desastrosa e de desatenção. Vini teve essa virtude, ao roubar a bola de Hendry, na entrada da área, e marcar. O gol foi anulado, porém, porque o árbitro da partida viu falta do atacante, após ir ao monitor do VAR.

Isso não fez falta, porque Vini anotou mais um — e esse valeu. Depois de pressão ofensiva de Matheus Cunha e de Danilo, o atacante apareceu nas costas da zaga e cabeceou com o gol vazio, após o goleiro Gunn nada encontrar ao deixar a meta. O passe foi do meio-campista Bruno Guimarães, outro que tem tido exibições elogiáveis na competição, acertando assistências decisivas, curtas e longas.

O camisa 8 também participou do gol que definiu a vitória. De frente para o gol, ele poderia ter finalizado, mas escolheu deixar Matheus Cunha à vontade para balançar a rede aos 14 minutos do segundo tempo.

Confortável, o Brasil até foi atacado pelos escoceses, mas Alisson protegeu com segurança o gol. Fez duas defesas providenciais e manteve a baliza brasileira intacta.

De volta

Nesse cenário, foi oportuno para Ancelotti dar a Neymar a chance de estrear nesta Copa. A torcida fez coro pela entrada do atacante desde os seis minutos do segundo tempo. Ele começou a aquecer aos 17, foi chamado aos 26 e entrou em campo aos 30, na vaga de Matheus Cunha.

Foram 981 dias até o camisa 10 voltar a defender a Seleção Brasileira. O último jogo havia sido traumático — foi quando ele sofreu uma grave lesão no joelho, em 17 de outubro de 2023, contra o Uruguai. No Hard Rock, Neymar bateu escanteios, trocou passes curtos e ajudou o Brasil a cadenciar o jogo, mantendo-o no ritmo ideal à seleção pentacampeã.

Rua vira arquibancada e mobiliza vizinhos e familiares

Por: Joel Cavalcanti

Antes do início do jogo é que a torcida brasileira mostra que sua forma de celebrar o futebol é única no mundo. Na Rua Porfírio Costa, no bairro de Cruz das Armas, em João Pessoa, as famílias pintam o asfalto, penduram bandeirinhas e interditam a via para ter espaço suficiente para tanta alegria. “Nós nos juntamos, é um grupo de cerca de 20 amigos, familiares e vizinhos, e decidimos fazer essa festa”, conta Rosely Calixto Correia, dona de casa, de 44 anos.

Grupo de torcedores atraiu tia de jogador paraibano | Foto: Leonardo Ariel

É Rosely quem organiza o encontro, realizado em frente à própria casa, onde mora com mais cinco pessoas. A iniciativa começou nesta Copa do Mundo e, rapidamente, transformou-se em ponto de encontro da vizinhança para acompanhar os jogos do Brasil. Para ela, o entusiasmo com o torneio mundial é um motivo perfeito para juntar os vizinhos e parentes em  torno de um mesmo objetivo.

A preparação é coletiva. Os moradores fazem uma cotinha para comprar enfeites, dividir os custos da comida e organizar os tira--gostos e o churrasco. “Cada um traz um prato, cada um faz uma coisa. Já a TV que usamos é da vizinha, porque a dela é maior”, explica a dona de casa. Vestidos de verde e amarelo e reunidos em uma rua que fica ao lado do Campo da Graça, os moradores acompanharam o jogo de ontem, contra a Escócia, com a expectativa voltada, especialmente, para os jogadores paraibanos da Seleção: o atacante Matheus Cunha e o lateral--esquerdo Douglas Santos.

A tia do camisa 9 do Brasil, inclusive, passou pelo espaço para acompanhar a alegria dos vizinhos. “A emoção é muito grande para a gente. A última vez que tive um contato mais próximo com Matheus foi quando ele tinha 13 anos. Agora, a gente vê ele chegar onde chegou”, conta a pedagoga Maria Lúcia Carneiro da Cunha, de 65 anos. Ela se preparava para assistir ao jogo na casa do pai do jogador, no bairro de Tambiá.

Apesar da distância, Maria tem acompanhado de perto a trajetória do sobrinho, desde os tempos em que ele deixou a Paraíba para seguir carreira no futebol. O desempenho de Matheus Cunha na Copa também mobilizou a família depois que viralizaram as imagens da mãe do atacante, Luziana, comemorando e chorando durante a vitória por 3 a 0 do Brasil sobre o Haiti, na última sexta-feira (19) — quando o paraibano marcou dois gols. “Falei com Luziana na semana passada. A gente faz chamada de vídeo e compartilha essa alegria”, relata.

Independentemente dos resultados dos jogos, a expectativa de Rosely e de todos os moradores da Rua Porfírio Costa é poder continuar fazendo a festa. Mas, sobretudo, continuar encontrando razões para reunir toda a vizinhança na mais brasileira forma de torcer. “Nós estamos torcendo, e vai dar tudo certo, se Deus quiser. A gente vai conseguir”, conclui a dona de casa.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 25 de junho de 2026.