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55,5% das paradas não têm abrigo

publicado: 20/05/2026 08h56, última modificação: 20/05/2026 08h56
Expostos à chuva e ao sol enquanto aguardam o ônibus, passageiros expressam insatisfação e cobram melhorias
2026.05.19 Pradas de ônubus sem cobertura 02 © Leonardo Ariel (2).JPG

Paradas do Bairro das Indústrias também têm vegetação e lixo descartado irregularmente | Foto: Leonardo Ariel

por Íris Machado*

Das 1.985 paradas de ônibus em João Pessoa, 1.102 não têm abrigos, de acordo com a Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana da capital (Semob-JP). Esses dados representam mais da metade (55,5%) dos equipamentos instalados no município.

Em um desses pontos, Cláudia Santos, moradora do bairro Mumbaba, aguarda pelo transporte coletivo para ir ao trabalho. Sem nenhuma proteção, ela encontra uma sombra na fachada de um estabelecimento comercial, na Avenida Cidade das Cajazeiras. Apenas uma placa na calçada sinaliza que existe uma parada de ônibus no local.

“Os ônibus aqui demoram muito para passar. É pouco ônibus para a demanda daqui, que está grande demais. Todo dia fazem um prédio, outras construções mais, e muitas coisas estão faltando. A gente, que trabalha todo dia, sabe, né? É ruim demais. Faz meia hora que eu estou aqui, esperando o 104. Até agora não passou ainda”, lamenta.

No trecho da segunda etapa do Bairro das Indústrias, a situação é a mesma. Jaime Trigueiro, que reside no loteamento Cidade Verde III, já não anda mais de ônibus pela cidade com frequência. Idoso, ele prefere esperar por uma carona no carro do filho a enfrentar a precariedade do transporte público pessoense.

“Quem pega ônibus? É pobre. E pobre não tem vez, tanto faz pegar ônibus na chuva como pegar ônibus no sol. Não tem problema nenhum, porque eles [a prefeitura] não ligam. Tudo é difícil demais para pobre. Aqui atrasa ônibus demais. Às vezes, passa um agora e você só vai pegar outro daqui a mais de meia hora. Se estiver chovendo, você leva chuva; se tiver sol, você leva sol”, afirma.

O comerciante Edilson Pereira reforça essa insatisfação. Além da ausência de abrigo, o avanço da vegetação e o descarte irregular de resíduos nas calçadas dificultam a rotina de quem depende da condução para se deslocar pela capital. “Tem parada de ônibus, mas não tem cobertura. Era para se fazer melhorias para o povo, para a população não estar na chuva, não estar no sol. Os ônibus aqui se quebram demais e nem a parada de ônibus tem melhoras. Quem quiser ficar na chuva, fica aí. Tem que estar com guarda-chuva, né? E sombrinha. O povo do [Jardim] Veneza, do Vieira Diniz que sofre. Os ônibus vão todos lotados”, expressa.

Como ele, a moradora Rosilene Araújo também observa um abandono estrutural na localidade. Para ela, a realidade da região contrasta com o dia a dia dos outros bairros de João Pessoa, onde o ir e vir é um direito cotidiano. “Aqui é bem esquecido mesmo. Ontem mesmo, um caminhão passou e caiu uma árvore. Isso era para ser tudo podado, mas a coisa mais difícil é podar. Tem que ter alguém para estar olhando. Os políticos só aparecem na época de eleição. É só promessa. Esse canteiro [de ônibus] era para ser bem organizado, como é nos outros bairros em que a gente vai, onde é tudo calçadinho, bonitinho. Aqui só é mato. É entregue mesmo”, relata.

Ao jornal A União, a Semob-JP informou que 883 paradas de ônibus já receberam abrigos na capital, com iluminação própria, bancos e acessibilidade para pessoas com deficiência (PcD). A renovação dos equipamentos envolve duas remessas, por meio de uma parceria público-privada que prevê a requalificação de 400 unidades, confeccionadas em material metálico e pintura resistente. No primeiro semestre de 2025, a superintendência entregou 45 novos pontos, enquanto mais 55 foram implantadas em novembro do ano passado, em um total de 100 abrigos disponibilizados para os passageiros.

Procurado pela reportagem, o secretário municipal de Desenvolvimento Urbano, Marmuthe de Souza Cavalcanti, afirmou que as podas na região estão sendo realizadas “dentro de uma programação com prioridades, conforme vem sendo solicitado pela população por meio do aplicativo João Pessoa na Palma da Mão”. Já a assessoria da Autarquia Especial Municipal de Limpeza Urbana (Emlur-JP) limitou-se a informar que “todos os dias há ações de conservação e zeladoria na cidade” e orientou a população a também acionar a autarquia por meio do aplicativo municipal.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 20 de maio de 2026.