A doação de sangue é essencial para manter os estoques abastecidos e ampliar as chances de cura e tratamento para pacientes que dependem desse ato de solidariedade. Pensando em incentivar que mais pessoas se cadastrem e mantenham uma rotina de doações voluntárias, o Projeto Mais Enilde e o Hemocentro da Paraíba realizam uma campanha até o próximo sábado (23), em João Pessoa. A iniciativa tem como tema “Nem a tecnologia mais avançada pode fazer o que um gesto humano faz. Doe sangue!”, e a meta é mobilizar de 800 a mil doadores de sangue e alcançar 90 novos cadastros de medula óssea.
A abertura oficial da ação foi realizada ontem pela manhã, na sede do Hemocentro, no bairro da Torre, na capital. A campanha também já passou pelos municípios de Sousa, Patos e Cajazeiras, e, na semana que vem, encerra-se em Campina Grande.
A iniciativa surgiu há 11 anos, em favor da empresária Maria Enilde, que precisou fazer um transplante de fígado; com isso, a família e os amigos mobilizaram--se para conseguir as doações de sangue necessárias para o procedimento. Infelizmente, mesmo com a cirurgia, ela veio a óbito devido a outras complicações, mas a mobilização seguiu em prol da causa, criando o projeto para estimular o cadastro de doadores de sangue e medula óssea.
A coordenadora da iniciativa, Cátia Moreira, destaca que a ação ajuda a eternizar a memória de Enilde. “Neste ano, nós estamos divulgando, compartilhando que, mesmo com a tecnologia, a Inteligência Artificial, o avanço e a automação, nada substituiu os doadores nesse ato nobre, de solidariedade e amor. Então, estaremos sempre aqui, contagiando e envolvendo pessoas”, afirma.
A diretora-geral do Hemocentro da Paraíba, Shirlene Gadelha, também ressalta a ação da família em prol dessa corrente de solidariedade, que ajuda a fortalecer as doações. “Ela acontece sempre no mês de maio, já que, com a chegada do período mais frio e chuvoso, as pessoas se afastam mais dos hemocentros, por estarem muitas vezes acometidas de alguma virose, e isso faz com que esse incentivo seja muito importante”, destaca.
Na semana passada, o Hemocentro já percebeu essa redução: foram apenas 450 doações, aproximadamente, quando a média para o período costuma chegar ou passar de mil. “Isso nos deixa preocupados, porque a gente tem a necessidade dos hospitais, que não deixam de realizar cirurgias, procedimentos, tratamentos oncológicos, transplantes. Então, a gente trabalha junto com esse projeto para que possamos somar e incentivar os doadores que ainda não doaram para que possam vir agora”, enfatiza.
Shirlene explica como estão os estoques do Hemocentro e qual a maior deficiência. “Quanto ao [tipo] A+ e O+, nós estamos bem, mas a dificuldade sempre é com os Rh negativos, que são mais difíceis de coletar. Então a gente faz o apelo, para quem tem os tipos de sangue A, B, O e AB negativos, e até o B+, que venha fazer a sua doação, porque nosso estoque está baixo”, detalha.
Durante a ação, uma programação especial acolhe os doadores com música e a distribuição de um kit personalizado em agradecimento pelo gesto de solidariedade. Jéssica Lisboa esteve ontem, no Hemocentro, e conta que iniciou o hábito de doar após sua sogra precisar de sangue para um procedimento. “Já é a segunda vez que estou doando desde que teve essa necessidade na minha família. Porque a gente pensa que pode ser qualquer pessoa precisando, e é importante ter essa consciência de que doar sangue é doar vidas também”, comenta.
Já Robério Gerberson Oliveira da Silva conta que faz doações regularmente há dois anos e ressalta a importância da prática. “Um amigo pediu doações para alguém da família dele, eu vim e, a partir daí, continuei doando. A gente não sabe o dia de amanhã, pode ser qualquer pessoa precisando, até eu mesmo, então é importante fazer as doações”, defende.
Além da campanha nos Hemocentros da Paraíba, a unidade móvel do órgão também está circulando outros municípios, acompanhando o calendário de audiências do Orçamento Democrático Estadual (ODE). A programação pode ser acompanhada nas redes sociais, pelo instagram @hemocentrojp.
Quem pode
Para fazer uma doação de sangue, basta procurar o hemocentro ou hemonúcleo mais próximo, portando um documento oficial de identificação com foto, e passar pela triagem, para verificar se a pessoa cumpre os critérios necessários, como explica Shirlene. “É preciso ter acima de 50 kg, e de 16 a 69 anos de idade. Menores só podem doar com acompanhamento e permissão de um responsável, e maiores de 60 anos só se já forem doadores cadastrados. Um dia antes da doação, evite beber, evite comer comidas gordurosas, e é necessário estar bem de saúde e ter dormido bem na noite anterior. Se fez uma tatuagem ou micropigmentação, precisa esperar 12 meses, ou, se fez alguma cirurgia, tem que esperar esse tempo para retomar as doações”, ressalta.
Mulheres devem aguardar um período maior para doar pela segunda vez, em decorrência do período menstrual, podendo retornar a cada três meses, enquanto os homens devem ter um intervalo de dois meses entre as doações.
Mobilização chega a Campina na próxima semana
Por: Maria Beatriz Oliveira
O Hemocentro Regional de Campina Grande recebe, a partir da próxima segunda-feira (25), o projeto Mais Enilde, com a meta de alcançar 800 doações na cidade e 55 novos cadastros para doação de medula óssea. No ano passado, a ação resultou na participação de 500 doadores.
A diretora-geral do Hemocentro de Campina, Eulália Neves, explica que, no momento, o banco de sangue do local está bem abastecido, mas que o período junino costuma ser de alta demanda. “Por isso, a campanha é feita em momento muito oportuno para o Hemocentro. O São João é, historicamente, um período de festividades, há um aumento no número de acidentes de trânsito, por exemplo, e nas cirurgias de emergência. Ou seja, aumenta a demanda e, muitas vezes, as doações diminuem. Contando com isso já estamos planejando mais campanhas para junho, junto com a Polícia Rodoviária Federal [PRF], tanto de conscientização para o trânsito como para a importância de doar sangue”, relata.
Eulália explica, ainda, que os meses de São João coincidem com o período chuvoso em Campina, o que também causa diminuição nas doações. Além disso, a diretora explica que o consumo de bebidas alcoólicas durante as festas juninas é outro fator de risco, já que a doação de sangue não pode ser feita até 12 horas depois da ingestão. “Todos esses elementos prejudicam o nosso estoque de bolsas de sangue”, lamenta.
Apesar da campanha Mais Enilde promover a doação de sangue e de medula óssea de forma mais intensa, a diretora do Hemocentro destaca que o local está sempre precisando de doações. “Nossa média semanal é de 500 doações. Não é baixa, mas podemos melhorar muito. Estamos abertos de segunda a sexta-feira, das 7h às 18h, e nos sábados, das 7h à 13h”, comenta.
Weverton Araújo é doador de sangue há quatro anos e enxerga a campanha Mais Enilde como um incentivo para quem ainda não doou. “Normalmente, eu doo duas vezes por ano e é muito bom poder ajudar. Hoje, estou doando para o meu pai, que vai precisar fazer uma cirurgia, mas temos que doar sempre porque sempre terá uma pessoa do outro lado precisando”, contou.
Medula
Para o cadastro de doador de medula óssea, é necessário ter de 18 a 35 anos de idade, levar um documento original com foto e estar em boas condições gerais de saúde. Uma amostra de sangue é coletada e, a partir dela, o indivíduo já é considerado parte do banco nacional de doadores.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 19 de maio de 2026.
