Um esforço integrado, coordenado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), por meio da Auditoria Fiscal do Trabalho, resgatou 18 mulheres submetidas a condições análogas à escravidão na Paraíba. A ação integra a Operação Donos da Noite, deflagrada no dia 10 de junho e encerrada ontem, com a participação de representantes do Ministério Público do Trabalho (MPT), da Polícia Federal (PF), do Ministério Público Federal (MPF) e da Defensoria Pública da União (DPU). Outras quatro mulheres foram resgatadas em Pernambuco.
Como informou a Auditoria Fiscal do Trabalho, as ações ocorreram em estabelecimentos nos municípios paraibanos de Guarabira, Pedro Régis e Alagoa Grande, além Nova Cruz (RN) e Goiana (PE) — onde outras quatro vítimas foram resgatadas. Nesses locais, as autoridades identificaram não apenas condições degradantes de trabalho, mas situações de tráfico de pessoas, servidão por dívida, jornada exaustiva e exploração sexual. As investigações também indicam que os lugares fiscalizados vinculam-se a uma mesma organização criminosa, cujo principal núcleo de atuação estaria concentrado em solo paraibano.
Ainda conforme os dados divulgados pelo MTE, a maioria das vítimas é oriunda do Ceará e havia sido deslocada para trabalhar nos estabelecimentos inspecionados.
Providências
Durante a operação, os auditores fiscais do Trabalho constataram mecanismos utilizados para restringir a liberdade das trabalhadoras, incluindo o controle de dívidas e transferências compulsórias entre diferentes pontos administrados pelo mesmo grupo. Também foram registrados relatos de violência e outras violações de direitos humanos.
A responsável apontada pela fiscalização como líder da organização foi formalmente notificada sobre a caracterização de trabalho em condições análogas à escravidão. O MTE também determinou a imediata interrupção das atividades dos espaços, o pagamento das verbas trabalhistas devidas, o custeio do retorno das vítimas aos seus locais de origem e a adoção de medidas de proteção social.
Em Nova Cruz (RN), embora o estabelecimento-alvo estivesse fechado durante a ação, foram encontrados registros de controle de dívidas, além de outros elementos que reforçam a atuação da organização criminosa no local.
Rede de proteção
Além do resgate das vítimas, segundo o MTE, a força-tarefa garantiu seu acesso à rede de proteção social. As apurações sobre o caso seguem em andamento e novas vítimas poderão ser identificadas ao longo dos desdobramentos da operação.
Canais
Casos de trabalho análogo à escravidão, tráfico de pessoas e exploração sexual podem ser denunciados, de forma anônima, por meio do Sistema Ipê, ferramenta do MTE disponível no site, ou por meio do Disque 100, canal nacional de denúncias de violações de direitos humanos.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 17 de junho de 2026.