A Polícia Civil da Paraíba (PCPB) confirmou a prisão de um dos suspeitos envolvidos no ataque a tiros ocorrido no último dia 8, na Rua da Mata, no bairro Rangel, que resultou na morte de dois jovens. Em entrevista coletiva realizada ontem, o superintendente da PCPB, o delegado Cristiano Santana, declarou que a detenção representa um passo importante para o avanço das investigações sobre o caso. “Com essa prisão, inicia-se a resposta [da polícia ao crime]”, afirmou.
A captura ocorreu na comunidade Paulo Afonso, do bairro de Jaguaribe. De acordo com o delegado Rafael Muniz, da Delegacia de Crimes Contra a Pessoa (DCCPes) de João Pessoa — unidade responsável pela chamada “Operação Paulo Afonso” —, o detido, suspeito de participação direta no ataque, é apontado como liderança de uma facção criminosa que atua na região. “Esse indivíduo já é presença constante nas unidades prisionais e reincidente em crimes de homicídio. Já houve sete tentativas de prisão [contra ele], e a Polícia Civil obteve êxito ao realizar sua captura em flagrante”, detalhou Rafael.
Durante as diligências mais recentes da Operação Paulo Afonso, também foram apreendidas drogas, munições, um veículo e um aparelho celular.
Retaliação
Em 3 de junho, dois jovens foram mortos na comunidade Paulo Afonso. Cinco dias depois, houve o ataque a tiros que vitimou outra dupla de jovens na Rua da Mata.
A linha de apuração policial relaciona ambos os crimes a uma disputa entre facções locais. Um dos alvos do primeiro atentado era investigado por envolvimento em dois homicídios e seria filho do chefe de um grupo criminoso de Paulo Afonso. “Essa facção, por sua vez, reagiu e promoveu o outro ataque, na região do Rangel, vitimando mais dois jovens”, explicou André Rabelo.
Segundo as investigações, o suspeito capturado manteria uma forte ligação com o líder criminoso de Paulo Afonso, atuando como seu braço armado fora do sistema prisional. “Há uma ligação muito forte e diversos indícios que materializam a dinâmica dos dois casos, que não podem ser analisados de forma isolada”, salientou André Rabelo, delegado-geral da PCPB, também presente na coletiva de imprensa.
“Foi uma prisão importante, acompanhada da apreensão de drogas, armas, munições e dispositivos eletrônicos, que contribuirão para um inquérito mais robusto e para a identificação dos demais envolvidos”, acrescentou o delegado-geral.
Rabelo esclareceu, ainda, que detalhes apurados pelas autoridades não podem ser divulgados, por ora, para não comprometer o andamento das apurações: “A investigação ainda está em desenvolvimento para compreender melhor toda a dinâmica dos fatos. Nesse momento, não podemos fornecer mais informações”.
Como complementou o delegado Rafael Muniz, da DCCPes, “a Delegacia de Homicídios prossegue com todas as diligências necessárias e mantém o compromisso de elucidar os crimes violentos registrados na capital”.
Esportistas
Sobre a dupla assassinada no bairro Rangel, Rafael afirmou que, até o momento, não foram identificados indícios de envolvimento com atividades criminosas. “Os dois jovens da Rua da Mata eram esportistas, praticavam futebol e, até onde apuramos, não tinham qualquer envolvimento com a criminalidade. Eram pessoas de boa índole, que acabaram sendo vítimas de um atentado covarde. Estavam no local e, por isso, foram atingidas por indivíduos ligados a facções criminosas”, declarou.
Operação Caixinha capturou 18 acusados
Ainda durante a entrevista coletiva, a delegada titular da DCCPes de João Pessoa, Luísa Correia Lima, apresentou dados sobre a Operação Caixinha, deflagrada ontem, como desdobramento da Operação Mandacaru — força-tarefa realizada de forma contínua, desde 2024, para investigar homicídios cometidos no bairro de mesmo nome.
Conforme a delegada, foram cumpridos 18 mandados de prisão e cinco de busca e apreensão no primeiro dia da Operação Caixinha, que conta com o apoio da Unidade de Inteligência Policial (Unintelpol) da PCPB, em atuação integrada com o Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público da Paraíba (MPPB).
Luísa frisou que as ações desenvolvidas desde o lançamento da Operação Mandacaru já contribuíram para uma redução de cerca de 60% dos assassinatos registrados na região, na comparação entre o primeiro quadrimestre deste ano e o mesmo período de 2025.
De acordo com o delegado Felipe Viana, responsável pela empreitada, o aprofundamento das apurações revelou a atuação estruturada de uma organização criminosa na localidade. “Em uma área de Mandacaru, esse grupo arrecadava recursos mensais, entre os integrantes da facção, para a aquisição e a manutenção das armas de fogo utilizadas pela organização criminosa”, revelou.
Todos os 18 presos ocupavam posições de destaque na facção. “Também apreendemos cerca de R$ 8 mil em espécie e celulares, que serão analisados e poderão subsidiar novas fases desta ou de outras operações”, completou.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 17 de junho de 2026.