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São João

Brincar com fogo deixa cicatrizes

publicado: 25/06/2026 09h09, última modificação: 25/06/2026 09h27
Acidentes com fogueiras e artefatos pirotécnicos causam queimaduras graves em crianças; supervisão é fundamental
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Em João Pessoa, o Hospital de Trauma Senador Humberto Lucena é referência para esse tipo de ocorrência | Foto: Evandro Pereira

por Camila Monteiro*

O clima de festa que marca o período junino, com forró, quadrilhas, comidas típicas, fogueiras e fogos de artifício, também exige atenção redobrada. Apesar de encantar milhares de nordestinos, os festejos podem resultar em acidentes graves, especialmente envolvendo queimaduras provocadas por fogos.

Na noite da última terça-feira (23), véspera de São João, o Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena, em João Pessoa, registrou dois casos de queimaduras em crianças de apenas dois anos de idade, causadas por fogos de artifício.

A primeira ocorrência deu entrada na unidade por volta das 21h. A criança, moradora do bairro do Rangel, foi levada ao hospital por familiares em carro particular. O segundo caso foi registrado à meia-noite, envolvendo uma criança residente do Bairro das Indústrias, também transportada por meios próprios.

Segundo informações do hospital, ambas as vítimas receberam atendimento de emergência, passaram por avaliação médica e permaneceram em observação. Após os cuidados necessários, as duas receberam alta hospitalar.

Segundo Saulo Montenegro, cirurgião plástico que atuou na Unidade de Tratamento de Queimados (UTQ) do Hospital de Trauma, as crianças são as mais afetadas por esse tipo de acidente. Ainda conforme o especialista, as principais causas são acidentes domésticos, durante a preparação de alimentos; queimaduras por líquidos combustíveis e por fogos de artifício.

De acordo com a dermatologista Ana Cecília Araújo, os primeiros socorros em casos de queimaduras incluem resfriar a área atingida com água corrente por alguns minutos. A especialista alerta ainda que não devem ser aplicadas substâncias caseiras sobre a lesão e que, em casos graves, a vítima deve ser encaminhada o mais rápido possível para atendimento médico.

Como prevenção, o cirurgião plástico Saulo alerta que fogos de artifício devem ser manuseados apenas na presença de adultos. Ele destaca também que, nesta época, há muitos casos envolvendo queimaduras nas solas dos pés, em decorrência das cinzas oriundas das fogueiras. “É importante não deixar essas cinzas expostas”. Além disso, reforça a não utilização de combustíveis líquidos para acender fogueiras.

Em João Pessoa, os casos de queimaduras são atendidos no Hospital de Trauma, referência para esse tipo de ocorrência.

Campanha reforça prevenção

Com o objetivo de reduzir o número de acidentes neste período, o Hospital de Trauma de João Pessoa realiza a 24a edição da campanha Marcas que Ficam para Sempre. A ação teve início no dia 1º deste mês e busca conscientizar a população sobre os riscos de queimaduras durante os festejos juninos.

Ao longo de junho, equipes da Unidade de Tratamento de Queimados (UTQ) promovem palestras educativas e distribuem materiais informativos em escolas, praças e pontos de venda de fogos de artifício, orientando a população sobre medidas de prevenção e segurança.

De acordo com Saulo Montenegro, a campanha tem sido fundamental para diminuir o número de casos de queimaduras durante o período de São João no estado. “Como é uma campanha sazonal, ela tem um efeito muito forte. Nos primeiros dois anos da campanha, houve uma redução significativa, em torno de 13%, no número de acidentes que chegavam ao hospital”.

Hospital registra 20 casos em Campina Grande

Por: Maria Beatriz Oliveira

Em Campina Grande, o Hospital de Emergência e Trauma Dom Luiz Gonzaga registrou 20 atendimentos por queimaduras do dia 1o até 24 de junho, período que corresponde às festividades de São João na cidade, conforme dados divulgados pela unidade de saúde.

Segundo o hospital, 19 ocorrências foram causadas por acidentes com fogos de artifício e uma teve como origem uma fogueira. De acordo com a cirurgiã plástica e coordenadora da Ala de Queimados, Ísis Lacerda, a maior parte dos casos envolve crianças.

A médica reforçou que os pequenos não devem manusear fogos de artifício sem a supervisão de um adulto, mesmo quando os artefatos são destinados ao público infantil. Ela também orientou que é importante manter um balde com água ou areia por perto para apagar fogos que não funcionarem corretamente e alertou que eles nunca devem ser reacendidos.

Além disso, Ísis Lacerda chamou a atenção para os riscos na manhã seguinte aos festejos juninos, quando muitas crianças acreditam que a fogueira já está completamente apagada, embora as brasas ainda possam provocar queimaduras graves nos pés e nas mãos dos pequenos.

“Não pode usar nenhum produto caseiro. A única recomendação é colocar a área queimada sob água corrente, envolver um pano limpo ou curativo específico limpo e procurar o serviço de saúde mais próximo da pessoa”, orientou a médica, ao explicar os primeiros socorros em casos de queimaduras.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 25 de junho de 2026.