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violência de gênero

Terminal vira ponto de acolhimento

publicado: 25/06/2026 09h05, última modificação: 25/06/2026 09h05
Ação na Rodoviária de João Pessoa leva informações sobre direitos e mecanismos de proteção ao público feminino
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Equipe da Tenda Lilás, grupo de escuta ligado ao Ministério das Mulheres, distribuiu materiais educativos para cidadãos de diversos estados | Fotos: Evandro Pereira

por Henrique Toscano*

Quem passou ontem pelo Terminal Rodoviário Severino Camelo, em João Pessoa, pôde conferir a presença da equipe da Tenda Lilás, grupo de escuta ligado ao Ministério das Mulheres. A ação busca aproximar os serviços públicos da população e ampliar o conhecimento das mulheres sobre seus direitos e os mecanismos de proteção contra a violência de gênero.

A iniciativa ainda faz divulgação dos fluxos de acesso aos serviços públicos, como o Ligue 180, que, nos cinco primeiros meses deste ano, recebeu 5.426 registros da Paraíba. O número representa uma alta de 8,4% em comparação ao mesmo período do ano passado, quando foram feitos 5.004 atendimentos e registradas 826 denúncias.

A atividade, que consiste na entrega de material educativo e no acolhimento do público, ocorreu durante o período da manhã e da tarde de ontem e segue até hoje. De acordo com Kênia Figueiredo, coordenadora da assessoria de participação social e diversidade do Ministério das Mulheres, ocorreram 26 feminicídios em 2024 e 36 no ano seguinte, 2025, no estado. “É preciso que se tenha uma intervenção. Isso não pode ser naturalizado”.

Segundo ela, a Tenda Lilás procura estar em lugares de grande circulação da população. A escolha pelo Terminal Rodoviário deu-se em razão de ser um espaço propício para o diálogo com pessoas residentes da Paraíba e de outros estados próximos. “A Tenda é um ambiente em que ocorre uma ação de comunicação pública que percorre todos os estados do país, e busca conversar com gestores, parlamentares, movimentos sociais e o cidadão comum”.

Aprovação do público

A tradutora e intérprete francesa Manon Gaimard, a qual se encontra a passeio no Brasil, estava no local e disse que a Tenda trabalha uma pauta muito importante. “O papel da mulher ainda não chegou no ponto em que a gente precisa, e iniciativas como essa são fundamentais”, ressaltou.

A sindicalista Maria das Graças dos Santos é integrante do quadro de diretoras do Sindicato das Trabalhadoras Domésticas do Estado da Paraíba. Ela foi uma das pessoas que se deparou com o serviço. “Esse tipo de ação que estamos constatando aqui possibilita dar uma maior visibilidade de como está sendo realizado o diálogo com o público: homens e mulheres, mostrando a importância de estarmos combatendo a violência contra a mulher”.

Para Maria, a iniciativa veio em uma boa hora, pois divulga a problemática e oferece acolhimento às mulheres. “Nós não merecemos ser violentadas e, sim, amadas. Faço um apelo para que os homens também entrem nessa ação. Nem todo homem é um machista, mas o machismo mata todos os dias. Isso tem de acabar”, salientou.

Serviço

A Central de Atendimento à Mulher —  Ligue 180 — é um serviço de utilidade pública com foco no enfrentamento à violência contra as mulheres. A ligação é gratuita e o serviço funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana.

Segundo o Ministério das Mulheres, nos primeiros cinco meses de 2026, o Ligue 180 registrou 16.725 ocorrências de violências no ambiente digital contra mulheres. No mesmo período de 2025, foram registradas 5.795 ocorrências. O crescimento foi de 188,6%. Também em 2026, até maio, foram registradas 2.250 denúncias em que o ambiente virtual foi identificado como cenário da violência. Vale lembrar que, ao oferecer atendimento direto e orientação em espaço público, a Tenda Lilás contribui para ampliar o acesso à rede de apoio, especialmente para mulheres em situação de vulnerabilidade.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 25 de junho de 2026.