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Janeiro Roxo

Casos de hanseníase diminuem na PB

publicado: 07/01/2026 08h32, última modificação: 07/01/2026 08h32
Secretaria da Saúde registrou 340 diagnósticos em 2025, uma redução de quase 20% em relação ao ano anterior
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Comparando 2019 e 2025, anos inicial e final dos números apresentados pela SES, houve uma redução de quase 50% nos casos | Foto: Divulgação/SES | Foto: Laylson Ismar

por Pedro Alves*

O mês de janeiro é marcado pela campanha Janeiro Roxo, iniciativa das entidades ligadas à saúde que busca intensificar a conscientização sobre a hanseníase no Brasil. Apesar de ter tratamento e cura, a doença ainda é cercada por desinformação e estigmas, o que muitas vezes acaba dificultando o diagnóstico precoce e contribue para uma transmissão silenciosa.

Dados do Núcleo de Doenças Crônicas e Negligenciadas da Secretaria de Estado da Saúde (SES) apontam que, em 2025, na Paraíba, foram notificados 340 casos novos da doença, considerando dados parciais até 2 de dezembro. O número, quando relacionado aos dados referentes ao ano anterior (429), significou uma diminuição de 89 casos, ou seja, cerca de 20%. A redução ganha ainda mais relevância ao ser comparada a 2019, ano base utilizado pelo núcleo,  quando o estado contabilizou 611 casos.

Entre crianças e adolescentes menores de 15 anos — indicador considerado sensível para a transmissão ativa da hanseníase — foram registrados 13 casos em 2025, mantendo um patamar semelhante ao observado em 2024. A taxa de detecção geral da doença caiu de 15,3 casos por 100 mil habitantes, em 2019, para 8,3, em 2025, reforçando uma tendência de queda, embora o estado ainda seja classificado como área endêmica.

Outro dado que chama atenção é a proporção de casos diagnosticados com avaliação do grau de incapacidade física no momento do diagnóstico. Em 2025, 82,1% dos pacientes tiveram essa avaliação realizada, percentual considerado elevado e que indica o avanço na qualificação da assistência. No entanto, 12,2% dos novos casos já apresentavam grau 2 de incapacidade física, o mais grave, sinalizando diagnóstico tardio em parte dos pacientes.

Atualmente, a Paraíba conta com municípios classificados em diferentes níveis de prioridade para o enfrentamento da hanseníase, reforçando a necessidade de estratégias regionalizadas. Especialistas alertam que, apesar da redução nos indicadores, a hanseníase segue como um problema de saúde pública associado à vulnerabilidade social, exigindo ações contínuas de vigilância, capacitação das equipes de saúde e combate ao estigma.

Doença

A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pela bactéria Mycobacterium leprae, que atinge principalmente a pele e os nervos periféricos. Se não identificada a tempo, pode provocar sequelas, deformidades e limitações físicas, impactando diretamente a qualidade de vida das pessoas acometidas.

A transmissão ocorre, principalmente, por vias respiratórias, por meio de gotículas eliminadas durante fala, tosse ou espirro, mas a hanseníase não é altamente contagiosa e a maior parte da população possui imunidade natural. Além disso, logo após o início do tratamento, o paciente deixa de transmitir a doença.

A dermatologista Luciana Trindade explica: “Por ser comum, estima-se que grande parte da população já tenha entrado em contato com a bactéria. Porém, apenas de 5% a 10% das pessoas desenvolverão a doença. Isso devido a uma batalha imunológica que ocorre entre o corpo e a bactéria, cuja vitória relaciona-se principalmente com a genética de cada um, mas também com a qualidade da alimentação, a higiene pessoal, o tipo de moradia, e o uso excessivo ou não de cigarro, bebida alcoólica e drogas ilícitas”.

Os sintomas mais comuns da hanseníase são manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou marrons na pele, com diminuição ou perda de sensibilidade; dormência, formigamento e perda de força nas mãos, pés e olhos; aumento na espessura de nervos e dor em membros. Em estágios mais avançados, podem ocorrer feridas, deformidades e incapacidades físicas. A orientação é procurar uma unidade de saúde sempre que surgir qualquer mancha suspeita com alteração de sensibilidade.

Tratamento no SUS

O tratamento da hanseníase é feito com poliquimioterapia, realizado com combinação de antibióticos fornecidos, gratuitamente, pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A duração varia conforme o tipo da doença, podendo ir de seis meses a um ano. Quando seguido corretamente, o tratamento leva à cura e evita sequelas.

A principal estratégia de prevenção é o diagnóstico precoce. Além disso, familiares e pessoas que convivem com o paciente devem ser avaliadas, pois fazem parte do grupo de maior risco. Manter o acompanhamento nas unidades de saúde e observar sinais suspeitos são medidas essenciais. Outro ponto reforçado pelo Janeiro Roxo é o combate ao estigma. A hanseníase não define quem a possui e não deve ser motivo de discriminação. Informação correta, acesso ao tratamento e acompanhamento médico garantem cura e qualidade de vida.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 07 de janeiro de 2026.