Falta menos de um mês para o início das festas juninas em Campina Grande, e, por isso, o Parque do Povo — palco principal da festa d’O Maior São João do Mundo — já está sendo preparado para receber a 43ª edição do evento, começando por um dos elementos mais essenciais para dar o clima junino à cidade: a decoração temática.
Feita pelo cenógrafo José Sereco há 40 anos, a decoração do São João começa a ser pensada ainda em fevereiro, com o decorador planejando o leiaoute, as novidades e a logística por trás do trabalho. Ao todo, Sereco emprega 30 pessoas durante os preparativos da festa, algo de que se orgulha. “É uma das coisas que me deixa mais feliz, poder gerar emprego e renda para 30 famílias com meu trabalho”, pontuou.
O início da história de Sereco com o São João confunde-se com a própria história do São João na Rainha da Borborema. Famoso na cidade por seu trabalho com cenografias de teatro, ele foi convidado por Ronaldo Cunha Lima, seu amigo e então prefeito de Campina, para ajudar, como voluntário, a pendurar 300 bandeirinhas juninas no Parque do Povo.
“Em 1986, com a construção da Pirâmide, foi quando realmente fui contratado para fazer uma cenografia planejada e maior para o local e, a partir daí, nunca mais parei. Temos dois meses para deixar tudo pronto, mas sempre começamos a decoração pela Pirâmide, tanto porque é um espaço coberto e não precisamos nos preocupar com a chuva, mas também pelo simbolismo que a Pirâmide tem. Quando terminamos a decoração aqui, sentimos que o São João está começando mesmo”, afirmou Sereco.
Após a decoração da Pirâmide, o cenógrafo parte para dar vida e cor para o quadrilhódromo, atualmente localizado no Parque Evaldo Cruz, sendo o espaço que sedia as competições de quadrilhas juninas da região. O último elemento a ser decorado é o túnel que liga o Parque do Povo ao Evaldo Cruz, dando elo à festa toda.
Além dos parques que recebem a festa d’O Maior São João do Mundo, Sereco também decora as festas juninas de Galante, São José da Mata e Catolé de Boa Vista, além da Vila do Artesão em Campina.
“Neste ano, serão 270 mil metros de bandeirinhas somente no Parque do Povo, para ter uma ideia de onde chegamos. Além dos balões, fogueiras e outros elementos temáticos sobre os quais eu não posso dar spoiler. Será uma surpresa”, brincou o cenógrafo.
Renda extra
As bandeiras são compradas prontas e separadamente. No entanto, para fazer os varais de bandeirolas que enfeitam o céu durante as noites de São João em Campina, são necessárias muitas mãos que, desde o dia 22 de abril, trabalham diariamente grampeando bandeira por bandeira em 20 ou 30 varais por dia.
Para esse trabalho, Sereco conta com a colaboração de 10 mulheres que aproveitam a festa para fazer uma renda extra. É o caso de Gabryella Barbosa, que trabalha pela primeira vez nessa ocupação. A jovem soube da oportunidade por meio de um primo. “Tudo é experiência e aprendizado. Eu vou todos os anos à festa no Parque do Povo e nem imaginava que a decoração era um trabalho manual, achava que já vinha tudo pronto. A gente olha aquelas bandeirinhas e nem passa pela nossa cabeça que alguém precisou organizar tudo aquilo”, comentou.
Já Gleina Barbosa trabalha na confecção dos varais de bandeirolas desde 2022. No início, além das bandeiras, Gleina também costurou os fuxicos que decoraram edições anteriores do São João.
Para ela, o trabalho torna os dias de festa mais especial. “Sempre nos juntamos e vamos na abertura para ver como nosso trabalho ficou e eu amo. Só no dia da festa conseguimos olhar e perceber que participamos de cada detalhe daquilo. É muito gratificante, sem falar que é um dinheiro a mais que fazemos”, contou.
Festival de Quadrilhas tem início no dia 8 de junho e reúne 34 grupos
As quadrilhas juninas também fazem parte da tradição que envolve O Maior São João do Mundo em Campina Grande. São dezenas de grupos, com centenas de membros e dançarinos cada um, que passam cerca de um ano preparando coreografia, tema, figurinos e muita dança para as apresentações e festivais tanto na Rainha da Borborema como em outras cidades da Paraíba e do Nordeste.
Neste ano, ao todo, 34 grupos participarão do 26o Festival de Quadrilhas Juninas, organizado pela Associação das Quadrilhas Juninas de Campina Grande e Região Agreste (Asquaju). De acordo com o presidente da associação, Lima Filho, dentre elas, 14 são da Rainha da Borborema e 20, de municípios vizinhos do Agreste paraibano.
“As apresentações começam no dia 8 de junho e seguem até o dia 14. Desde janeiro os preparativos já começaram a ficar mais intensos, com ensaios e organização logística do evento. Entre comissão julgadora, assistentes de pistas, coordenação, transmissão ao vivo e limpeza, somos cerca de 40 pessoas somente nos bastidores do festival, fazendo tudo acontecer”, contou Lima.
Além dos grupos de dança junina de Campina, também participam do festival quadrilhas de Boa Vista, Massaranduba, Alcantil, Fagundes, Juazeirinho, Taperoá, Cacimba de Dentro, Serra Redonda, Queimadas, Gado Bravo, Esperança, Cuité, Montadas, Remígio, Barra de Santa Rosa, Sossêgo, Gurjão e Serra Branca.
Outro evento da programação d’O Maior São João do Mundo é o 3o Festival de Quadrilhas Juninas Escolares, promovido pela Prefeitura de Campina Grande, por meio da Secretaria Municipal de Educação, com o intuito de proporcionar aos estudantes da rede municipal de ensino uma imersão cultural na tradição junina. O festival vai ser composto por três grupos: Anos Iniciais, Anos Finais, ambos do Ensino Fundamental, e Educação de Jovens e Adultos.
Estrutura
Para receber as quadrilhas juninas e as mais de 120 apresentações musicais, apenas no palco principal do Parque do Povo, a estrutura da festa no local já começou a ser montada, desde a última semana do mês de abril, pela empresa responsável pela realização do evento, a Arte Produções.
Com início marcado para o dia 3 de junho, a edição deste ano contará com 15 palcos para shows, distribuídos entre Parque do Povo, Parque Evaldo Cruz, Vila do Artesão e nos distritos de Galante e São José da Mata.
Tendo um total de 33 dias de duração, O Maior São João do Mundo terá sua 43ª edição com a completa integração do Parque Evaldo Cruz à festa, ganhando instalação de postos médico e policial. Além disso, uma parte da cidade cenográfica também deve ser montada no local.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 17 de maio de 2026.
