No Parque Solon de Lucena (Lagoa), um dos principais cartões-postais de João Pessoa, elas são presença marcante. Com sua altura e imponência, encantam quem passeia pelo lugar e ajudam a embelezar ainda mais a cidade. As palmeiras-imperiais também estão presentes em diversos outros espaços da capital, como avenidas, praças, canteiros e jardins. Ao todo, segundo a Secretaria Municipal do Meio Ambiente de João Pessoa (Semam-JP), são cerca de 2.200 delas espalhadas pelo município.
O engenheiro agrônomo e diretor de Controle Ambiental da Semam-JP, Anderson Fontes, reforça que o uso da espécie para o paisagismo consolidou-se no país por meio dos colonizadores portugueses. A partir disso, com o crescimento das cidades, aumentou também a preocupação com o embelezamento desses espaços. Nesse cenário, o uso das palmeiras no meio urbano fortaleceu-se em espaços como canteiros, praças, parques e jardins. “Lá no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, foi feita uma alameda com palmeiras, e isso influenciou as cidades a também trabalhar essa área de ordenamento de paisagem com palmeiras ao longo de todo o Brasil”, conta.

- Em João Pessoa, o local com maior número de palmeiras é o Parque da Lagoa, cujo anel interno é povoado pela espécie desde 1926
Em João Pessoa, as palmeiras-imperiais chegaram na década de 1920. “Daí em diante, o cenário de destaque, aqui, foi o Parque Solon de Lucena, nossa Lagoa, nosso cartão-postal. O ápice foi em 1926, quando a Lagoa se tornou parque e foi feito o plantio no anel interno, só com palmeiras-imperiais”, explica Anderson.
A partir daí, os pessoenses passam a desenvolver admiração, gosto e pertencimento para com a espécie. “Outro destaque também são as palmeiras do Parque Arruda Câmara, na Bica, em frente à administração, que é o metro quadrado de concentração de palmeiras mais próximas uma da outra do Brasil”, destaca o diretor da Semam-JP.
Ele pontua, ainda, que a espécie também está presente nas avenidas Epitácio Pessoa e Dom Pedro II, na Praça João Pessoa e em outros espaços. Embora muitas delas sejam encontradas em calçadas, a orientação da Semam--JP é que as palmeiras não sejam plantadas nesses locais. “Principalmente a imperial, que cresce até 30 m de altura. Ela é ideal para jardins, áreas privadas e com paisagismo, como quintais, mas jamais para calçadas, onde a gente identifica que não tem condições de essas palmeiras se desenvolverem”, ressalta. Além disso, por sua altura, a planta pode interferir em fiações elétricas, além de não gerar sombra e conforto térmico.
Já a manutenção das árvores é fruto de um trabalho contínuo de monitoramento, sobretudo nas unidades mais antigas. A prevenção é importante para combater ameaças às plantas, como fungos, cochonilhas e bicudos. “Nós fazemos todo um diagnóstico, que envolve a situação da área, a análise de como está a saúde, a estrutura de caule, a estrutura física, o sistema radicular, as condições de crescimento, as folhas. Isso serve para mostrar as condições de elas se desenvolverem. E o tempo de vida, sendo bem cuidada, pode chegar a mais de 100 anos, dependendo das condições sanitárias”, afirma Anderson.
População
Embora presentes no espaço urbano da capital há aproximadamente 100 anos, muitos moradores ainda desconhecem a espécie e têm dificuldade de identificá-la. Esse é o caso de Marlene Pereira Alves, que acha lindas as árvores em volta da Lagoa, mas acreditava que se tratava de coqueiros. “Principalmente para tirar foto, acho muito bonito. Sempre gosto de passear por aqui, mas não sabia que eram palmeiras-imperiais. É bom que agora eu fiquei conhecendo essa espécie, não conhecia”, comenta.
Lucineide da Costa Xavier também reside em João Pessoa e não sabia identificar as plantas. “Eu venho aqui pela Lagoa quando preciso resolver algo no Centro, mas acho bonito o espaço, com as árvores. Só não sabia o nome dessa espécie”, destaca.
Apesar do desconhecimento de boa parte dos pedestres que cruzam o Parque Solon de Lucena, há outros moradores na capital que costumam procurar informações e orientações junto à Semam-JP sobre as palmeiras-imperiais. Conforme revela Anderson, esse é o caso de pessoas em condomínios, espaços comerciais e residências que têm interesse no plantio ou que já possuem espécies plantadas e cadastradas na secretaria.
Uma unidade para plantio, aliás, custa, em média, R$ 1.500. “E qualquer pessoa pode procurar nosso canal de atendimento, pelo aplicativo João Pessoa na Palma da Mão, para solicitar serviços de poda ou limpeza de árvores que estejam em espaços públicos, gratuitamente”, orienta o diretor da Semam--JP. No caso das árvores que estão em jardins ou outros espaços privados, a responsabilidade pela realização dos serviços é do proprietário e não do poder público.
Árvore adaptou-se ao clima tropical do Brasil
A palmeira-imperial, ou Roystonea oleracea (nome científico), é uma espécie nativa das Antilhas, vasto arquipélago da América Central. Ela está amplamente distribuída em países como Brasil, Colômbia e Venezuela, como explica Pietra Marques, bióloga do Jardim Botânico Benjamin Maranhão (JBBM). “No Brasil, a introdução dessa palmeira remonta ao século 19, onde Luiz de Abreu Vieira Silva, comerciante português aprisionado pelos franceses da Ilha de França, na época da sua detenção, adquiriu sementes de diversas espécies, dentre elas, da palmeira-imperial. Ao chegar ao Brasil, as sementes e mudas foram presenteadas a dom João VI, que plantou a primeira espécie da palmeira em 1809 no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, tornando-se símbolo da aristocracia brasileira”, declara.
Ela é uma espécie solitária e de grande porte, podendo chegar a até 45 m de altura. “Seu estipe [tronco] é simples, colunar e liso, com dilatação em sua base principalmente quando jovem, podendo medir de 40 cm a 60 cm de diâmetro, apresentando coloração esbranquiçada. O final do estipe termina em um órgão verde e mais grosso, também conhecido como ‘palmito’, onde ocorre o ponto de crescimento da planta e de onde emergem suas folhas pinadas, que variam de 3 m a 6 m de comprimento, sendo dispostas 16 a 22 folhas por coroa”, explica a bióloga.
Já as flores são brancas e pequenas, e surgem reunidas em cachos abaixo do palmito, com haste central medindo cerca de 1,5 m de comprimento. O período de florescimento ocorre na estação da primavera e a frutificação, no verão, sendo os frutos arroxeados, com polpa carnuda e uma semente única, conforme destaca Pietra.
No Brasil, a palmeira-imperial adaptou-se bem às condições climáticas e ambientais, principalmente devido à semelhança de clima quente e úmido com a sua região de origem, característico de áreas tropicais. “Além disso, a espécie apresenta crescimento rápido em solos férteis e com boa disponibilidade hídrica”, pontua a bióloga, que reforça que a espécie é indicada para cultivo em áreas amplas, que oferecem espaço suficiente para o seu desenvolvimento. “Por ser uma espécie de grande porte, é indicada para a entrada de parques, fazendas, prédios públicos e outras construções, no paisagismo das cidades, entre ou ao redor de avenidas, evitando conflitos com fiações ou construções”, detalha.
A espécie também se adapta a diferentes condições climáticas, desde que o solo seja fértil e enriquecido com matéria orgânica. “Deve ser cultivada em local com intensa exposição solar e irrigação frequente, sem encharcar o solo. Mudas boas e saudáveis são essenciais para um ótimo crescimento da palmeira-imperial; sendo assim, a muda mais adequada para plantio deve apresentar de 1 m a 1,5 m de altura, e o seu berço deve ter o dobro do tamanho do torrão, com areia grossa e fertilizantes ou adubos orgânicos”, esclarece Pietra.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 17 de maio de 2026.