Com 20 açudes vertendo e outros 23 em situação favorável, operando com mais de 70% de sua capacidade, os reservatórios da Paraíba, enfim, deixam para trás a seca registrada em janeiro, quando apenas dois mananciais estavam sangrando. Se, antes, o mapa das regiões do estado estava majoritariamente colorido por tons de amarelo, laranja e vermelho, indicando índices pluviométricos inferiores a 50 mm, hoje, o território encontra-se, principalmente, em tons de verde e azul, que registram precipitações iguais ou superiores a 100 mm.
Entre os reservatórios operando acima de sua capacidade máxima, está a Barragem da Farinha, em Patos — o principal manancial da cidade, que não vertia há seis anos. Capaz de suportar mais de 25 milhões de m3, a vazão do açude põe fim a um longo período de racionamento na Capital do Sertão. Isso porque a Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa) anunciou o fim do rodízio no fornecimento de água na cidade.
Tal recuperação deve-se às chuvas que começaram a cair depois do Carnaval, ganhando força em março e atingindo maiores precipitações no início de abril. Assim como a estiagem, os índices pluviométricos mais altos eram esperados pela Agência Executiva de Gestão das Águas da Paraíba (Aesa-PB).
De acordo com o meteorologista do órgão, Lindenberg Lucena, a previsão, para hoje, é de acumulados inferiores àqueles registrados ao longo da semana, em outros dias de chuva. Entretanto, “as chuvas com maior intensidade, de moderada a forte, devem voltar a ocorrer amanhã, se estendendo até a segunda-feira [13]”. Conforme Lindenberg, espera-se que o volume mais significativo de água seja registrado no setor leste do estado, que compreende as regiões do Litoral, Brejo e Agreste.
Distribuição heterogênea
Apesar dos bons índices de abastecimento de água, a distribuição heterogênea das chuvas faz com que reservatórios localizados em uma mesma área apresentem situações hídricas diferentes. Na região do Alto Curso do Rio Paraíba, que engloba áreas como Cariri, Boqueirão e Camalaú, ao mesmo tempo em que algumas barragens estão vertendo, outras encontram-se em condição de alerta moderado.
Açudes como Camalaú e Poções, por exemplo, ultrapassaram o volume máximo, atingindo, respectivamente, 106,29% e 103,11% de sua capacidade. Em contrapartida, o Açude Epitácio Pessoa, conhecido como “Açude Boqueirão”, monitorado diariamente devido a sua importância para o abastecimento regional, está com 47,86% da sua capacidade total, enquanto o Açude Sumé opera atualmente com 19,50% do seu volume.
Entretanto, conforme descreve a técnica de Geoprocessamento e Recursos Hídricos da Aesa, Janayres Barbosa, o cenário é de otimismo. “Na região de Taperoá e em áreas do Cariri Oriental, onde temos mais fragilidade hídrica, os açudes Gurjão [58,32%], Serra Branca I [54,69%] e Namorado [29,71%] ganharam bons volumes neste mês. No Sertão, também no início de abril, os açudes São Gonçalo [65,48%], Engenheiro Ávidos [49,61%] e Bartolomeu I [56,39%] também receberam uma boa quantidade de água,” explica.
Ainda no Sertão paraibano, os açudes Coremas (47,46%) e Mãe d’Água (45,32%), que, juntos, formam um dos mais importantes complexos hídricos do estado, seguem abaixo da metade da capacidade, mas com tendência de elevação. O sistema, segundo a Cagepa, acumula cerca de 590 milhões de metros cúbicos, e atende cidades como Patos, Sousa e Cajazeiras, as quais também são abastecidas pela Barragem da Farinha — atualmente, operando em 101% de sua capacidade total, que é superior a 25 milhões de metros cúbicos. Outros reservatórios, como o Açude do Jatobá, seguem em elevação e podem atingir o volume máximo, de mais de 17 milhões de m3, até o fim de maio, de acordo com as projeções da companhia.
Já a Barragem de Capoeira, localizada entre os municípios de São José do Bonfim e Santa Terezinha, recebeu um volume superior a 11 milhões de metros cúbicos e também caminha para atingir sua capacidade máxima, que ultrapassa 53 milhões de m3.
Cagepa
Além do cenário climático favorável, a Cagepa tem desempenhado papel fundamental na melhoria do sistema de abastecimento. O gerente regional das Espinharas, Jonatas Raulino, revela que a companhia investiu cerca de R$ 1 milhão em ações estruturantes, incluindo a aquisição de novos conjuntos motobombas e melhorias na Estação de Tratamento de Água de Patos.
Os investimentos têm como foco ampliar a eficiência operacional, reduzir perdas e garantir maior regularidade no fornecimento, beneficiando não apenas Patos, mas diversas cidades atendidas pelo sistema integrado. “Essas ações fortalecem a capacidade de resposta do sistema, permitindo que a água captada seja tratada e distribuída com mais eficiência, especialmente em momentos de recuperação dos reservatórios”, destacou o gerente.
Apesar da melhora significativa e do fim do rodízio, a Cagepa reforça que o uso consciente da água continua sendo essencial para manter o equilíbrio do sistema e evitar novos períodos de escassez.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 10 de abril de 2026.
