Uma dívida de drogas pode ter motivado o assassinato dos quatro trabalhadores da construção civil que foram encontrados mortos, há uma semana, após desaparecerem na cidade de Bayeux, na Região Metropolitana de João Pessoa. Foi o que explicou a Polícia Civil da Paraíba (PCPB), em coletiva realizada na manhã de ontem, após a prisão de um dos quatro suspeitos do crime. Chama a atenção, porém, o fato de que apenas uma das vítimas era usuária de entorpecentes e teria contraído a dívida, de modo que as mortes dos outros três trabalhadores teriam sido colaterais, descritas pelas autoridades como “queima de arquivo”.
Na entrevista à imprensa, o delegado Douglas Garcia, responsável pela Delegacia de Homicídios de Bayeux, afirmou que o homem preso, de 20 anos, confessou o crime e relatou detalhes da dinâmica do homicídio quádruplo. Douglas também ressaltou que os outros três suspeitos já foram identificados, incluindo um menor de 18 anos, e haveria, ainda, um quinto envolvido: o líder da facção criminosa, que vive no Rio de Janeiro e é considerado o mandante do crime.
O único detido até o momento foi capturado na última quarta-feira (8), em uma casa no bairro Comercial Norte, em Bayeux. Na ocasião, ele estava com o celular de uma das vítimas. “A Polícia Civil não tem dúvidas a respeito da autoria [dos assassinatos] e a [investigação sobre a] motivação está bem encaminhada. Vamos ouvir novas pessoas e aguardar o relatório de quebra de [sigilo de] diversos equipamentos para que a gente também crave a motivação dessa barbárie”, afirmou o delegado, salientando que outras hipóteses sobre as causas do crime não foram descartadas, mas, até o momento, toda a investigação aponta para uma dívida relacionada a drogas.
Na casa em que foi preso o suspeito, também foram encontrados entorpecentes. Além do acusado, uma mulher foi detida no local, mas a PCPB frisou que ela apenas assumiu a posse das drogas, não tendo ligação com os homicídios.
Também participaram da coletiva de ontem o superintendente da PCPB, Cristiano Santana, e o delegado Thiago Cavalcante, que responde pela Delegacia de Crimes Contra a Pessoa da capital. As autoridades continuam em diligências para localizar e capturar os outros suspeitos, que já são alvos de mandados judiciais de prisão temporária.
Entenda
O desaparecimento dos quatro trabalhadores — Cleibson Jaques, Lucas Bispo, Sidclei Silva e Gismario Santos — foi registrado no dia 2 de abril, após o motorista do veículo que os transportava para o trabalho — uma obra da construção civil — ter encontrado a casa onde eles viviam, em Bayeux, vazia e revirada.
Na madrugada de 3 de abril, a polícia avistou quatro cadáveres em uma região de mata no bairro Brisamar, em João Pessoa, posteriormente identificados como os corpos dos operários. Vindos da Bahia, eles estavam na Paraíba havia cerca de dois meses para trabalhar.
De acordo com o delegado Douglas Garcia, a desova ocorreu em uma área dominada por uma facção rival à que pertencem os autores do crime, numa tentativa de despistar as autoridades.
Além disso, os corpos foram transportados em um veículo que havia sido roubado no município de Santa Rita. O carro serviu, inclusive, como a primeira pista para encontrá-los, já que o mau cheiro exalado fez os moradores da área acionarem a polícia. O odor levantou a suspeita de que um cadáver poderia ter sido transportado no veículo e, ao fazer buscas na região, os agentes encontraram os restos mortais.
A primeira identificação dos suspeitos, por sua vez, decorreu com base em imagens de câmeras de segurança instaladas em residências próximas ao local de abandono do carro.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 10 de abril de 2026.