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Seixas

Ecoboias reforçam proteção de corais

publicado: 23/03/2026 08h30, última modificação: 23/03/2026 08h30
Sistema de balizamento implantado pela Sudema orienta embarcações e preserva recifes de APA em João Pessoa
2026.03.20 Embalsamento de corais Boias no mar © Leonardo Ariel (28).JPG

Em 2020, foram iniciados os esforços de recuperação dos recifes na região, período em que 93% das colônias monitoradas sofriam um processo de branqueamento | Foto: Leonardo Ariel

por Íris Machado*

Os corais do Recife do Seixas, localizados na Área de Proteção Ambiental (APA) Naufrágio Queimado, em João Pessoa, receberam uma nova estrutura de proteção: o sistema de balizamento com ecoboias, entregue pela Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema), mediante uma visita técnica realizada na manhã de ontem (20). Essa medida contribui para orientar o tráfego aquaviário e reforçar a segurança do berçário vivo de corais na região. Também foi aberto, na solenidade, o 1º Campeonato de Pesca Subaquática da Paraíba (Campesub-PB), que acontece hoje, com a participação de pescadores da comunidade local.

Como esclareceu o superintendente da Sudema, Marcelo Cavalcanti, essa ação simboliza um avanço na preservação dos ambientes de pesquisa e restauração ecológica no Seixas. As boias implantadas evitam que embarcações danifiquem o ecossistema marinho, ao delimitar as áreas onde estão os recifes. “Diante do avanço do turismo e da exploração da área, que é uma unidade de conservação, tivemos um volume muito grande de pessoas ocupando esse espaço. A Sudema, juntamente com o Ministério Público, criou um Plano de Ação Emergencial, estabelecendo as restrições de uso da área no intuito de controlar e impedir a degradação de forma substancial”, afirmou.

Existem apenas três iniciativas de reparo de corais no Brasil. A nível nacional, essa rede de proteção é liderada pela pesquisadora e técnica do Programa Estratégico de Estruturas Artificiais Marinhas da Paraíba (Preamar-PB), Karina Massei. Com o apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado da Paraíba (Fapesq-PB) e do Instituto de Pesquisa e Ação (Inpact), ela iniciou os esforços de recuperação dos recifes no Seixas, em 2020, período no qual 93% das 1,1 mil colônias monitoradas sofriam um processo de branqueamento que ameaçava a biodiversidade litorânea. Segundo a pesquisadora, essa área representa 11% do território da capital.

“Quem pisa em João Pessoa, pisa dentro da unidade de conservação APA Naufrágio Queimado. Esses recifes são muito próximos da região costeira, isso faz com que essa área se torne oportuna para diversos usos, como pesca e turismo. A melhor opção é conservar, mas hoje, com as mudanças climáticas e o desenvolvimento desenfreado em algumas áreas, não há como não recorrer à restauração, que deve ser realizada associando o embasamento técnico-científico ao saber local. É um laboratório natural não apenas do órgão gestor, mas também um trabalho com a comunidade, com a educação ambiental, fomentando o turismo regenerativo, o mergulho recreativo e a pesquisa”, explicou a especialista.

Ao todo, o sistema de balizamento envolve quatro pontos de entrada e saída de barcos, além de sinalizadores de áreas adequadas para ancoragem. A proposta é utilizá-lo como um modelo a ser replicado em espaços semelhantes. “A questão do clima não afeta só os corais, mas ele é um bioindicador, o primeiro sinal de um efeito em cascata. Acaba comprometendo todos os recursos pesqueiros. Só o fato de isolar uma área, evitando o turismo predatório, para ter esse ordenamento, já é o primeiro passo”, avaliou a pesquisadora.

Campesub-PB

A ocasião marcou a abertura da primeira edição do Campesub-PB, na tentativa de fortalecer os esforços comunitários de conservação ambiental. De acordo com o organizador, Thiago Santana, 18 pescadores estão inscritos na disputa. Os três primeiros colocados receberão um troféu para representar a conquista. “Há três anos eu venho lutando para fazer esse evento”, informou.

“Aqui tem desde pescadores iniciantes aos mais experientes, que realizam a pesca subaquática de 10 m a 30 m de profundidade. Vamos dar o nosso melhor na competição. Os peixes pescados serão doados às comunidades que precisam”, esclareceu.

A competição ocorre hoje, às 8h, com saída do Espaço Oceano, localizado na Rua dos Pescadores, no 501, em Ponta do Seixas, na capital. Essa iniciativa também conta com o apoio da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas-PB), do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente (Prodema) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), do Instituto Federal da Paraíba (IFPB), da Capitania dos Portos da Paraíba (CPPB), da Associação Guajiru, clubes de mergulho e instituições de pesquisa.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 21 de março de 2026.