Notícias

óbito em pombal

Órgãos esperam o laudo toxicológico

publicado: 23/03/2026 08h28, última modificação: 23/03/2026 08h28
Necropsia do corpo de mulher morta após comer uma pizza é inconclusiva; Numol não descarta hipótese de intoxicação

por Samantha Pimentel*

O Núcleo de Medicina e Odontologia Legal (Numol) de Cajazeiras, no Sertão paraibano, recolheu materiais biológicos do corpo da mulher que faleceu no início da semana, após ingerir pizza em um estabelecimento comercial do município de Pombal, para investigação toxicológica. Embora a necropsia não tenha constatado indícios desse tipo de problema, o órgão não descarta a suspeita de intoxicação e esclarece que somente após saírem os resultados toxicológicos será possível elucidar a causa da morte. A conclusão do laudo deve se dar em até 30 dias.

Segundo o diretor do Numol de Cajazeiras, o médico--legista Luiz Rustenes Fernandes, o caso ainda está sob investigação. “O que nós não encontramos na necropsia foram alguns sinais que podemos encontrar em casos de intoxicação, como edema cerebral e odor característico. Mas essas coisas não excluem nem confirmam absolutamente nada. O que vamos aguardar são os resultados do exame toxicológico, que apontarão se há presença de substâncias exógenas”, afirmou. Ele também pontua que a conclusão dos testes será confrontada com os achados do corpo, para que se possa emitir um laudo definitivo.

“Só vamos descartar a possibilidade de intoxicação se o exame toxicológico vier negativo. As pessoas confundem intoxicação alimentar e intoxicação exógena; a primeira indicaria uma comida estragada e a segunda, algo que pode ter sido acrescentado àquela comida”, explicou Luiz. Para a investigação toxicológica, foram coletados materiais biológicos do corpo, como sangue cardíaco, sangue periférico, estômago com conteúdo e urina.

Relembre

No último domingo (15) e na segunda-feira (16), mais de 100 pessoas deram entrada no Hospital Regional de Pombal e na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da cidade, apresentando sintomas como vômito, diarreia e dores abdominais. Verificou-se que todos os pacientes tinham ingerido pizzas da La Favoritta, um estabelecimento local. Entre eles, estava a servidora pública Rayssa Meritein Bezerra e Silva, de 44 anos, que faleceu na terça-feira (17).

Em nota, o Hospital Regional de Pombal relatou que a “paciente apresentou rápida evolução clínica, sendo prontamente assistida pela equipe médica e encaminhada à unidade de terapia intensiva (UTI), já em estado geral gravíssimo, com sinais compatíveis com um quadro infeccioso grave”. De acordo com o diretor clínico do hospital, Levi Neto, Rayssa não possuía comorbidades que possam ter agravado seu quadro.

O episódio está sendo investigado pela Polícia Civil (PCPB) e, caso os exames comprovem que o óbito está relacionado ao consumo do alimento, o proprietário da pizzaria, Marcos Antônio Gomes, poderá responder por homicídio culposo, conforme explicou o delegado responsável pelas apurações, Rodrigo Barboza. O empresário ainda pode ser enquadrado na Lei nº 8.137/90, que define crimes contra a ordem tributária, econômica e as relações de consumo.

Ainda no início da semana, equipes da Vigilância Sanitária municipal e estadual inspecionaram a La Favoritta e determinaram sua interdição, após identificar alimentos vencidos, armazenamento irregular de insumos e falhas no controle de manipulação dos produtos. Materiais e ingredientes do local também foram recolhidos para análise.

O proprietário do local pronunciou-se publicamente, por meio de um vídeo divulgado nas redes sociais, alegando que não sabe o que pode ter ocorrido e reforçando que tem colaborado com as investigações.

Inquérito

O Ministério Público da Paraíba (MPPB) também instaurou um procedimento administrativo para apurar o suposto surto de intoxicação junto aos órgãos e autoridades de Pombal. Por meio da promotora de Justiça Patrícia Napoleão Oliveira, que atua na área da saúde, o órgão requereu informações sobre o caso às Vigilâncias Sanitárias do município e do estado; à Secretaria de Saúde de Pombal; às unidades de saúde que atenderam as vítimas; além da delegacia local.

O MPPB visa ter acesso, por exemplo, a dados relativos ao processo que levou à interdição da pizzaria — incluindo relatórios de inspeção, autos de infração e laudos técnicos — e ao levantamento epidemiológico sobre os casos de intoxicação vinculados ao incidente, detalhando o número de pacientes atendidos e classificando-os por faixa etária, sexo e evolução clínica.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 21 de março de 2026.