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Museus oferecem lazer e aprendizado

publicado: 02/07/2026 09h01, última modificação: 02/07/2026 09h01
João Pessoa reúne opções acessíveis à visitação, promovendo a valorização da memória, da cultura e das artes
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Casarão onde vivia João Pessoa é um monumento de preservação da história, com visitação aberta ao público gratuitamente | Fotos: Evandro Pereira

por Íris Machado*

A céu aberto, João Pessoa já abriga uma verdadeira galeria de manifestações culturais. Na paisagem, nas instalações artísticas e até na própria atmosfera ao redor das ruas e vielas centrais, a terceira capital mais antiga do Brasil respira os primeiros traços da identidade coletiva local — mas é nos acervos e museus que a história da Paraíba encontra abrigo contra a passagem do tempo. Acessíveis e de livre visitação, esses espaços constituem uma vitrine da riqueza cultural paraibana, capazes de proporcionar um momento de aprendizado e lazer para toda a família.

A capacidade de despertar o pertencimento à cultura local e de recuperar o passado transforma esses ambientes em monumentos de consagração da memória, como lembra a diretora do Museu da História da Paraíba, Rebeca Dantas. Nele, em um inventário de mais de 500 páginas, o acervo guarda uma média de 700 itens históricos, expostos pela primeira vez no aniversário de 95 anos da Revolução de 1930, em 3 de outubro de 2025. Nos quase nove meses de atividade, o museu já atingiu a marca de 35 mil visitantes.

“Nós atendemos crianças pequenininhas, adolescentes que estão prestes a fazer o processo seletivo para entrar na universidade, famílias e grupos de turistas, mas o nosso público específico são os paraibanos, independente da idade. A gente tem uma importância muito grande, quando você fala em disseminar o conhecimento sobre o nosso estado e fazer com que as pessoas se sintam pertencentes àquele local onde elas nasceram, onde elas residem”, destaca.

Essa prática também impulsiona o turismo de base sustentável, ao adicionar um valor cultural e educacional à experiência da capital, de acordo com Alberto dos Santos Cabral, coordenador do Museu Casa de Cultura Hermano José (MCCHJ), da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). “O viajante não consome a cidade apenas como um cenário fotográfico. Ele é convidado a refletir sobre as transformações da paisagem, o impacto humano no meio ambiente e a importância de se preservar o que torna João Pessoa única”, detalha.

Museu de História da Paraíba

Visitantes recebem informações sobre a história da cidade

No prédio do antigo Palácio da Redenção, local onde funcionava a sede do Governo do Estado, o Museu de História da Paraíba agrega salas de exposições e obras de artistas da terra, a exemplo de Ariano Suassuna. Fruto de um investimento de cerca de R$ 11,5 milhões, a estrutura permite um mergulho em uma Paraíba em formação, a partir de uma viagem entre os principais acontecimentos históricos do estado, cômodos que comportavam o gabinete dos governadores e um painel de azulejaria portuguesa, de 1912. Visitas livres ocorrem, de graça, de terça-feira a sábado, das 9h às 16h, enquanto passeios guiados acontecem aos domingos, às 9h, 11h, 13h e 15h.

Museu Casa de Cultura

Neste mês, o museu abre as portas para a exposição Corpo-arquivo e Memória. Instalada em 2017, a coleção do equipamento engloba mais de 7,5 mil bens culturais e históricos nos acervos bibliográfico, museológico e arquivístico, entre peças doadas em vida pelo artista plástico Hermano José e obras de outros talentos da arte nacional. A entrada é gratuita e acontece de segunda à sexta-feira, das 8h às 16h, na Rua Poeta Luiz Raimundo Batista de Carvalho, no 805, no bairro Jardim Oceania.

Museu da Cidade

O casarão onde vivia João Pessoa, hoje, é um monumento de preservação da história local, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (Iphaep) e inaugurado em 2021. Em frente à Praça da Independência, quartos remontam momentos marcantes da vida do político, com móveis originais da família — como a mesa em que o ex-governador foi assassinado, em Recife — e fotografias que retratam o cotidiano dos paraibanos no início do século 20. O Museu da Cidade de João Pessoa recebe visitas de terça-feira a domingo, das 9h às 16h30, com entrada gratuita.

Hotel Globo

Um dos mais icônicos cartões-postais de João Pessoa, o Hotel Globo integra o conjunto arquitetônico da Praça de São Frei Pedro Gonçalves, construído com influências dos movimentos neoclássico, art nouveau e art déco. O prédio, de 1928, atua como uma galeria de arte, sedia eventos culturais de revitalização do Centro Histórico e abre de segunda-feira a domingo, das 8h às 17h. Quem passa por lá ainda consegue contemplar, de graça, uma vista privilegiada do pôr-do-sol sob o Rio Sanhauá, berço da história pessoense.

Fundação FCJA

Também é possível visitar o lar onde o ex-ministro e escritor José Américo de Almeida habitou durante as três décadas finais de vida, e o monumento que guarda os restos mortais do romancista. Há mais de 40 anos, a Fundação Casa de José Américo (FCJA), na orla de Cabo Branco, abriga equipamentos públicos valiosos e de visitação gratuita: a Biblioteca Durmeval Trigueiro Mendes, o Memorial da Democracia da Paraíba, o Núcleo de Estudos Arqueológicos e uma hemeroteca da imprensa paraibana e nacional.

Como um centro de atividades culturais, o espaço realiza projetos especiais contínuos, abertos à população. O Cineclube O Homem de Areia oferece sessões cinematográficas nas primeiras quartas-feiras de cada mês. Nas sextas-feiras, das 8h às 12h, a vez é da Feira dos Aromas, no jardim da FCJA, que apresenta produtos da agricultura familiar e peças do artesanato local.

Em 2025, a fundação ganhou um novo espaço para o público, que acolhe a GibiZeca e a Cordelteca, assim como os acervos do administrador cultural e jornalista Simeão Leal. O prédio está localizado na Av. Nossa Senhora dos Navegantes, nº 122, em Tambaú. Tanto a unidade externa quanto a sede da instituição oferecem visitas de terça a domingo, das 9h às 16h.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 02 de junho de 2026.