Uma ação conjunta executada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado da Paraíba (Ficco-PB) e pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do estado (MPPB), cumpriu 11 mandados de prisão preventiva em desfavor de acusados de envolvimento em uma organização criminosa que operava, principalmente, na Grande João Pessoa.
Deflagrada na manhã de ontem, a chamada Operação Lux buscou desarticular o núcleo de liderança da estrutura empresarial da facção, que compreendia setores especializados, dedicados ao narcotráfico e à lavagem de dinheiro. Os alvos estavam distribuídos pelo sistema penitenciário do estado e por bairros da Região Metropolitana da capital paraibana, sendo que um deles foi localizado no estado de São Paulo.
Cerca de 50 policiais dos órgãos que compõem a Ficco-PB — como as polícias Federal (PF), Civil (PCPB) e Militar da Paraíba (PMPB) — participaram da força-tarefa, que ainda executou ordens judiciais de busca e apreensão e de sequestro de bens. Nos endereços visitados, incluindo residências e estabelecimentos, as equipes apreenderam cocaína, celulares, notebooks e outras mídias eletrônicas, assim como quantias em dinheiro. Todas as medidas foram expedidas pela 2a Vara Regional das Garantias da capital.
O delegado Bruno Germano, da PCPB, acompanhou as diligências e classificou a ação como um avanço no combate ao crime organizado na Paraíba. De acordo com ele, além do tráfico de entorpecentes, a organização criminosa também praticava roubos qualificados e esbulhos possessórios — ou seja, a tomada ilegal da posse de bens, de forma violenta ou abusiva.
Os procedimentos da empreitada foram formalizados na Delegacia de Homicídios de João Pessoa e os materiais apreendidos serão encaminhados à sede regional da PF, para o aprofundamento das análises investigativas.
Mais de 30 anos
Segundo as averiguações policiais, o grupo criminoso articulava ações ilícitas tanto na Paraíba quanto em outros estados. Foi constatada a existência de um núcleo operacional e um núcleo financeiro, especializado na lavagem e na ocultação de capitais advindos do tráfico. Há, inclusive, indícios da utilização de empresas de fachada e de movimentações financeiras ilegais para driblar a fiscalização, assim como da participação direta de detentos na coordenação das atividades.
Os investigados responderão por organização criminosa, tráfico e associação para o tráfico, lavagem de capitais, comércio ilegal de armas de fogo e crimes patrimoniais, como roubo qualificado, receptação e tentativa de furto em estabelecimentos comerciais. As penas máximas podem ultrapassar 30 anos de prisão.
De acordo com a Polícia Federal, o nome da operação, “lux” — que significa “luz”, em latim —, alude à revelação da estrutura clandestina da facção e dos crimes empreendidos por seus integrantes, dentro e fora dos presídios, em uma atuação interestadual.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 28 de novembro de 2025.