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furto de energia

Número de “gatos” diminui no estado

publicado: 06/05/2026 09h11, última modificação: 06/05/2026 09h11
Concessionária registrou 4.781 ocorrências nos quatro primeiros meses deste ano; 26 pessoas foram presas
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Fiscalização é realizada pela Energisa, em parceria com órgãos de segurança; em 2025, houve 175 prisões ligadas ao crime | Foto: Divulgação/Energisa

por Henrique Toscano*

Uma ação corriqueira realizada na rede elétrica de bairros de diversas cidades brasileiras é o “gato”, prática que consiste em desviar a corrente de energia antes de ela passar pelo medidor (relógio), ou fazer a adulteração deste equipamento para registrar um consumo menor. Na Paraíba, no primeiro quadrimestre de 2026, houve a notificação de 4.781 irregularidades. Nesse mesmo intervalo, no ano passado, foram 6.408 casos. Mesmo com as 1.627 baixas no número de ocorrências, essa artimanha ainda causa muitos prejuízos ao poder público e às empresas do segmento energético que atuam na operação, manutenção e engenharia de sistemas elétricos.

No Brasil, esse tipo de atitude é considerado crime e encontra-se enquadrado no Art. 155, § 3o, do Código Penal, o qual preconiza que a energia elétrica é comparada a um bem móvel, o que torna a sua subtração ilegal um delito. A pena prevista é de um a quatro anos de reclusão, além de multa. De acordo com a Energisa Paraíba, nos primeiros quatro meses deste ano, o número de pessoas presas por furtarem energia chega a 26, sendo 17 na Grande João Pessoa, seis no Sertão e três na região da Borborema.

Ainda nesse período, foram realizadas 28 mil inspeções, resultando na recuperação de 4,7 GWh de energia. A quantidade é suficiente para abastecer, em média, 2.798 unidades residenciais durante um ano. No primeiro quadrimestre de 2025, foram recuperados 10,2 GWh, ou seja, 5,5 GWh a mais que neste ano.

A Energisa é a concessionária responsável pela identificação das irregularidades, monitoramento das perdas e suporte técnico para o corte das ligações irregulares no estado. A empresa, juntamente com órgãos de segurança pública e órgãos técnicos, participa de uma força-tarefa integrada, objetivando o combate a essa modalidade de furto. Em todo o ano passado, operações conjuntas resultaram em 175 pessoas presas, em cidades como João Pessoa, Guarabira, Sousa e Bananeiras. Quando realizadas, essas missões colaborativas têm como foco tanto residências quanto estabelecimentos comerciais, como hotéis, bares, lanchonetes e oficinas.

Municípios

Até o momento, o município que se destaca, com mais ocorrências de furto de energia é a capital, com 1.152 casos registrados. Na sequência, vêm Santa Rita (228), Conde (185), Patos (166), São Bento (162), Coremas (133), Campina Grande (118), Cabedelo (113), Pombal (113) e Sousa (111).

O coordenador de combate a perdas da Energisa Paraíba, Miranildo Gomes, afirma que a distribuidora realiza inspeções diárias, nas quais são priorizadas a segurança da população e a preservação da qualidade do fornecimento, inclusive utilizando recursos de tecnologia e inteligência operacional como suporte ao combate ao furto. “Além de criminosa, o furto de energia é uma prática que pode colocar a vida dos envolvidos em risco. Muitas vezes, essas intervenções são executadas por pessoas sem conhecimento técnico, o que aumenta o risco de acidentes, choques e incêndios”, explica.

Como denunciar

Com o intuito de identificar irregularidades na rede elétrica, a fiscalização da Energisa é feita com frequência. Para tanto, a colaboração da população é essencial. Ligações clandestinas e fraudes podem ser denunciadas, de forma anônima, pelo telefone 0800 083 0196, pelo WhatsApp (83) 9135-5540 ou pelo aplicativo Energisa On.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 06 de maio de 2026.