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donos da noite

PF revela rede de exploração sexual

publicado: 11/06/2026 09h06, última modificação: 11/06/2026 09h06
Paraíba era a sede do grupo criminoso que mantinha mulheres em condição análoga à escravidão também em RN e PE
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Operação Donos da Noite cumpriu nove mandados de busca e apreensão nos três estados | Foto: Divulgação/PF

por Carolina Oliveira* e Camila Monteiro*

A Polícia Federal (PF) deflagrou, ontem (10), a Operação Donos da Noite com a finalidade de coletar provas relacionadas a uma rede interestadual que atuava nos estados da Paraíba, do Rio Grande do Norte e de Pernambuco, voltada ao tráfico sexual de mulheres em situação de vulnerabilidade, bem como à submissão delas à condição análoga à escravidão. “A Paraíba era a sede principal do grupo criminoso. Esse grupo atuava e tinha três casas [de prostituição] na Paraíba, mais duas no Rio Grande do Norte e outra em Pernambuco”, detalhou o delegado Bruno Rodrigues, chefe da Delegacia de Direitos Humanos e Defesa Institucional da Polícia Federal.

A operação, até o começo da tarde de ontem, havia realizado o resgate de pelo menos duas das vítimas na Paraíba e uma prisão em flagrante por posse irregular de arma de fogo em Nova Cruz, no Rio Grande do Norte. “Em todas as casas que nós fizemos as fiscalizações, havia mulheres que estavam submetidas a esse tipo de situação. O Ministério Público do Trabalho e o Ministério do Trabalho e Emprego ainda avaliam a possibilidade de outros resgates. Eles estão justamente agora ouvindo essas pessoas. Nós estamos ainda no meio da investigação e do procedimento de resgate dessas vítimas”, declarou o procurador da República Gustavo Nogami.

A ação conjunta da PF com o Ministério Público Federal (MPF), o Ministério Público do Trabalho (MPT) e o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) cumpriu nove mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal. “A gente cumpriu nove buscas, em seis casas de prostituição e em três residências dos alvos principais, responsáveis pelo crime”, informou o delegado da PF.

Na Paraíba, foram executadas duas ordens judiciais no município de Guarabira e outras seis em Alagoa Grande, Pitimbu, Pedro Régis e Itabaiana. Já no Rio Grande do Norte, foram efetuados dois mandados em Nova Cruz. Em Pernambuco, um  na cidade de Goiana. “Durante essas buscas, conseguimos identificar catálogos de controle que apontavam tanto o valor dos programas quanto o proveito econômico que cada um obtinha com essa atividade. Um dos responsáveis pela manutenção do grupo criminoso foi preso em flagrante por posse de arma de fogo. Então, a gente tem diversos crimes nesse contexto, em especial o de trabalho escravo, bem como exploração de casa de prostituição e rufianismo [prática de tirar proveito econômico da prostituição de outra pessoa]”, enumerou o delegado Bruno Rodrigues.

Vítimas

De acordo com as investigações, os suspeitos mantinham mulheres em situação de vulnerabilidade social e econômica em estabelecimentos com a possível imposição de dívidas, metas de consumo e multas para a exploração sexual e outras formas de controle sobre as vítimas.

Também há indícios de rotatividade de mulheres entre unidades localizadas nos estados da Paraíba, de Pernambuco e do Rio Grande do Norte. “A exploração se dá basicamente sobre mulheres com alta vulnerabilidade social, de baixa renda ou sem emprego. Elas eram recrutadas de várias formas; um dos braços dessa organização ação fazia o recrutamento. Eles recrutavam fora desses estados, inclusive aqui do próprio Nordeste, como o Ceará”, afirmou o procurador Gustavo Nogami.

Apreensões

Além do cumprimento das ordens judiciais, as equipes realizaram fiscalizações nos estabelecimentos-alvos da ação. Durante a operação, os agentes apreenderam documentos, celulares, computadores, mídias eletrônicas, registros contábeis, comprovantes de transações financeiras e valores em espécie. O material deve auxiliar na comprovação dos crimes, na identificação de outros envolvidos e no rastreamento do fluxo financeiro.

A atuação integrada visou crimes contra a dignidade humana, a organização do trabalho, a liberdade individual e a dignidade sexual, com a participação de policiais federais, procuradores da República, procuradores do trabalho e auditores fiscais do trabalho. Segundo a PF, os suspeitos podem responder, na medida do papel de cada um, pelos crimes de redução à condição análoga à de escravo, tráfico de pessoas, manutenção de casa de prostituição e rufianismo, sem prejuízo de outros delitos que venham a ser identificados no decorrer das investigações.

Denúncia

A investigação teve início a partir de informações encaminhadas pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Guarabira, em meados de 2025. Posteriormente, esses dados foram remetidos à Justiça Federal e apuradas pela PF. “Essa investigação foi iniciada através do canal Disque 180. Então, gostaria aqui de ressaltar a importância tanto do Disque 180, como do Disque 100, relativo especificamente a direitos humanos. Se a gente não recebesse essa informação, a gente não conseguiria deflagrar essa operação de hoje”, destacou o delegado Bruno Rodrigues.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 11 de junho de 2026.