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Polícia detém líder de facção em JP

publicado: 08/10/2026 09h09, última modificação: 08/10/2026 12h35
Juninho Kavanhaque teria sido o mandante de 12 homicídios, incluindo esquartejamentos, cometidos desde 2025
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Os delegados Luísa Correia, Cristiano Santana e Hector Azevedo concederam entrevista ontem (07) | Foto: Evandro Pereira

por Camila Monteiro*

A Polícia Civil da Paraíba (PCPB) capturou, ontem (07), um homem conhecido como “Juninho Kavanhaque”, apontado como o líder de uma facção investigada pela prática de homicídios e crimes violentos e por exercer domínio territorial no bairro de Gramame, em João Pessoa — mais especificamente, na região do Residencial Irmã Dulce e em áreas próximas. A prisão de Juninho aconteceu como parte da Operação Carrasco, deflagrada ontem, pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da capital, em ação conjunta com o Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público da Paraíba (MPPB), assim como o apoio da Unidade de Inteligência Policial (Unintelpol).

Durante o dia, foram cumpridos 10 dos 16 mandados judiciais de prisão preventiva que haviam sido expedidos no âmbito das investigações, além de 13 ordens de busca e apreensão domiciliar. “Ele [Juninho] foi preso pelo crime de organização criminosa. Também havia um mandado de prisão [contra ele] por homicídio, com uma condenação de 21 anos”, explicou o delegado Hector Azevedo, responsável pelas apurações, durante coletiva de imprensa realizada na Cidade da Polícia Civil, no bairro Ernesto Geisel.

Conforme Hector, a polícia confirmou que Juninho foi o mandante de 12 homicídios cometidos pelo grupo criminoso, ocorridos desde agosto de 2025 sob o mesmo modus operandi: sequestro, morte, esquartejamento e ocultação dos corpos. Entre os detidos, as autoridades também prenderam os principais executores da facção, segundo a delegada Luísa Correia, à frente da DHPP.

Vítimas

Um dos casos atribuídos à facção é o desaparecimento do cabo José César, visto pela última vez em fevereiro deste ano. De acordo com Hector, o militar era dependente químico, estava endividado e havia sofrido uma punição imposta pela organização criminosa, que o proibiu de retornar à comunidade. Ainda segundo o delegado, José teria voltado à região no dia em que desapareceu. Outra vítima do grupo, como apontado pela polícia, foi Anderson Diego, que acabou sendo decapitado e teve a cabeça encontrada no bairro Colinas do Sul, em agosto.

Embora as apurações tenham partido de crimes ocorridos desde agosto do ano passado, foi identificada a existência de um mandado de prisão contra Juninho datado de 2012. Também presente na coletiva de ontem, o superintendente da PCPB, o delegado Cristiano Santana, informou que a facção liderada por Juninho mantinha práticas de extrema violência, como o esquartejamento das vítimas, havia pelo menos 15 anos.

Grupo intimidava e expulsava moradores da região

O delegado Hector Azevedo reforçou que a Operação Carrasco resultou das investigações dos 12 assassinatos atribuídos ao grupo criminoso. Ao longo das apurações, foram solicitadas medidas cautelares à Justiça e realizadas diligências que permitiram identificar e localizar integrantes da organização. “Conseguimos identificar a chefia e as funções de cada um dos envolvidos”, detalhou.

Como indicam os elementos reunidos pela polícia, a extrema violência teria sido utilizada pela facção como instrumento para consolidar seu domínio em Gramame, intimidar moradores da área e eliminar pessoas consideradas adversárias ou que contrariassem os interesses dos criminosos.

O grupo também exercia controle social sobre a região. De acordo com Hector, essa frente de atuação envolvia a instalação de barricadas e câmeras de monitoramento, além da expulsão de residentes da comunidade. “Tudo indica que o caso de Anderson Diego tenha sido referente a uma possível traição à facção”, afirmou o delegado, acrescentando que outros crimes teriam motivação semelhante.

Durante a Operação Carrasco, ainda foram apreendidos aparelhos celulares, que subsidiarão a continuidade das investigações sobre as ações da facção. Com o cumprimento das medidas judiciais, a PCPB e o MPPB buscam desarticular o grupo criminoso, interromper a prática de crimes violentos na região e reunir novos elementos para a responsabilização de todos os envolvidos. As apurações também prosseguem para esclarecer os homicídios e demais delitos, além de individualizar a participação de cada investigado.

A delegada Luísa Correia destacou que a DHPP prioriza a robustez probatória das investigações, por meio de diligências voltadas à obtenção de provas consistentes, que permitam identificar os autores dos crimes e evitar injustiças. “Não adianta trazermos elementos superficiais. Precisamos de robustez para que ocorra a condenação [dos acusados] no Tribunal do Júri”, pontuou.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 08 de outubro de 2026.