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Samu recebe mais de 33 mil trotes

publicado: 22/05/2026 10h36, última modificação: 22/05/2026 10h36
Chamadas falsas comprometem eficiência do serviço, retardando o atendimento à população e causando prejuízos
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Central de Regulação de Urgência da capital registrou a maior proporção de trotes, com 7,5% das chamadas sendo falsas | Foto: Divulgação/Secom-JP

por Mirvan Lúcio*

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) da Paraíba recebeu, de janeiro de 2025 a abril de 2026, 569.011 ligações. Desse total, 33.246 chamadas eram falsas, o que indica que os trotes correspondem a aproximadamente 5,8% do total de acionamentos registrados pelas Centrais de Regulação de Urgência (CRUs). As informações são de um levantamento feito pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-PB), com a área técnica do Samu, reunindo dados de todo o estado.

A Paraíba dispõe de sete CRUs, distribuídas nas três macrorregiões de saúde e situadas nas cidades de Sousa, Cajazeiras, Piancó, Patos, Monteiro, Campina Grande e João Pessoa. As centrais são responsáveis pelo atendimento e regulação das ocorrências realizadas por meio do serviço de socorro móvel, no número 192.

João Pessoa é a cidade com o maior número de registros falsos. No período que compreende o levantamento, o Samu da capital recebeu 362.241 chamadas, sendo 27.165 trotes, o que representa 7,5% das ligações. Segundo a diretora-geral do Samu-JP, Lídia Gadelha, esse índice já foi mais alto.

“Eu acredito que as campanhas que nós fazemos nas escolas e através da imprensa e das redes sociais vêm surtindo resultado, e isso a gente pode comprovar através de números. Para um Samu que recebia 25% de trotes por mês, hoje em dia [o problema] caiu significativamente”, observa.

No outro extremo do estado, está o município de Cajazeiras, com a menor taxa de acionamentos indevidos. Dos 14.630 chamados regulados pela CRU, apenas 28 foram improcedentes, totalizando 0,2%. De acordo com a coordenação local do Samu, essa estatística era mais alta no ano de 2024 — e uma mudança na narrativa do atendimento contribuiu para a diminuição dos casos de trotes.

“A gente tem uma forma diferente de abordar as ligações, feita pelos técnicos de regulação médica. Eles já iniciam o atendimento dizendo que ‘o Samu salva vidas e que trotes são prejudiciais ao serviço’. Depois que a gente começou a fazer esse alerta, percebemos que, em algumas ocasiões, a ligação é desligada, inibindo a tentativa de chamado falso”, explicou Manoel Télamon, coordenador-geral do Samu em Cajazeiras.

O serviço também realizou campanhas educativas, sensibilizando a população sobre os prejuízos causados pelas solicitações falsas de emergência. “Promovemos panfletagem em locais de grande circulação, participamos de feiras e orientamos as pessoas. Foi um trabalho relacionado à educação e à forma como a gente aborda as ligações, mantendo sempre a brevidade nessa abordagem, já que precisamos de um tempo-resposta muito dinâmico”, ressaltou Télamon.

De acordo com a SES-PB, a ocorrência de trotes compromete diretamente a eficiência do serviço, podendo ocasionar sobrecarga das centrais de regulação, retardo no atendimento de ocorrências reais e mobilização desnecessária de recursos humanos e operacionais. “Em casos de urgência e emergência, cada minuto faz diferença. Por isso, é fundamental que toda a sociedade compreenda a seriedade desse serviço. O combate aos trotes passa pela conscientização coletiva, envolvendo famílias, escolas e toda a população”, alertou Priscilla da Costa Santos Farias, gerente operacional da Rede de Atenção às Urgências e Emergências do estado.

Há, ainda, um impacto financeiro à administração pública causado pelas solicitações falsas de socorro, uma vez que elas demandam utilização de linhas telefônicas, consumo de combustível, desgaste de equipamentos de saúde e viaturas, além da utilização inadequada de recursos públicos destinados ao socorro de pacientes com necessidades reais. “O Samu existe para atender quem realmente precisa. Utilizar o serviço com responsabilidade é um compromisso com a saúde, com a assistência e, principalmente, com a vida da população paraibana”, disse Priscila.

Punição

Na Paraíba, vigora um dispositivo legal que considera crime a prática de trotes para serviços de emergência. A Lei nº 13.683/2025 prevê multa ao proprietário de linha telefônica responsável pelo acionamento indevido dos serviços telefônicos de atendimento a emergências envolvendo remoções ou resgates, combate a incêndios, ocorrências policiais ou atendimento de desastres.

Segundo o texto, os órgãos responsáveis pela prestação dos serviços de emergência poderão anotar o contato de onde se originou o trote e enviar ofício às empresas prestadoras de serviços telefônicos para que essas informem os dados do proprietário. A multa varia, em média, de R$ 700 a R$ 3.600 e pode ser cobrada em dobro no caso de reincidência.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 22 de maio de 2026.