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acidente em elevador

Vítima tem diagnóstico de paraplegia

publicado: 15/05/2026 09h04, última modificação: 15/05/2026 09h04
Mulher foi internada no Hospital de Trauma de João Pessoa, que não determinou se quadro é definitivo ou temporário
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Estrutura despencou do terceiro andar; além da mulher, duas crianças ficaram feridas | Foto: Reprodução

A mulher de 36 anos que estava internada no Hospital Estadual de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena, de João Pessoa, após a queda de um elevador no Residencial Reserve Altiplano, na última quarta-feira (13), teve diagnóstico de paraplegia em decorrência de lesão medular. De acordo com a unidade de saúde, ainda não se sabe se o quadro é definitivo ou temporário. Ela foi transferida, ontem, para um hospital particular na capital paraibana e deve passar por cirurgia. 

Condomínio já registrava problemas técnicos nos elevadores | Foto: Reprodução/Instagram @reservealtiplanoum

A vítima estava acompanhada dos dois filhos, um de três e outro de cinco anos, no momento do acidente. As crianças também foram levadas ao Hospital de Trauma com escoriações leves. Segundo o boletim do hospital, elas passaram por procedimentos médicos de emergência, receberam alta na manhã de ontem, após período de observação, e estão sob os cuidados de uma vizinha.

Entenda

O acidente ocorreu quando um elevador despencou do terceiro andar do prédio residencial, no fim da tarde de quarta-feira. No momento da queda, estavam na cabine uma mulher e duas crianças, que ficaram presas no fosso.

Antes da chegada das equipes de socorro, moradores do condomínio conseguiram abrir a porta do equipamento e iniciaram o resgate das vítimas. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e o Corpo de Bombeiros foram acionados para atender a ocorrência.

Segundo relatos de moradores, a mulher foi retirada com ferimentos e dores pelo corpo, enquanto as duas crianças apresentavam apenas ferimentos leves.

Em nota, a administração do condomínio informou que a prioridade imediata foi prestar assistência às vítimas e oferecer apoio às famílias envolvidas. O condomínio também afirmou que os elevadores apresentam problemas técnicos desde a entrega do empreendimento, ocorrida em setembro de 2023.

O morador Fábio Grisi conta que a construtora foi informada de que os elevadores não funcionam a contento. “Vivia parando. Eles têm capacidade para seis pessoas, mas, quando coloca três, já param”, informou.

Ainda de acordo com a administração, foram registrados outros episódios, como incêndio no fosso do elevador do Bloco B, queda abrupta de um elevador no Bloco D, travamentos frequentes, interrupções constantes e falhas nos sistemas de segurança.

As denúncias motivaram uma ação judicial na 7a Vara Cível da Capital contra a construtora do Grupo Guedes Pereira (GGP), na qual o condomínio apontou a existência de “vícios estruturais nos elevadores”. Em janeiro de 2025, a Justiça decidiu favoravelmente ao condomínio e determinou a substituição integral dos equipamentos. No entanto, a construtora recorreu da decisão, e o processo segue em tramitação na Justiça da Paraíba.

Em resposta, o Grupo GP manifestou solidariedade às famílias e moradores do residencial e afirmou permanecer à disposição das autoridades e da administração do condomínio para colaborar com as apurações em andamento.

A construtora contestou as acusações e afirmou que, conforme a legislação civil e as normas técnicas aplicáveis, especialmente a ABNT NBR no 16.083 e o artigo 1.336 do Código Civil, a responsabilidade pela manutenção dos elevadores de uso comum é do condomínio após o início da utilização regular dos equipamentos pelos moradores.

Ainda segundo o grupo, esse período já ultrapassa, aproximadamente, três anos. A empresa também afirmou que alertou reiteradas vezes a administração do condomínio sobre a necessidade de um plano rigoroso e permanente de manutenção preventiva, em razão do uso intenso e contínuo dos elevadores.

Crea-PB

Já o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia da Paraíba (Crea-PB) divulgou um comunicado, no qual lamenta “profundamente” o acidente e informa que tem a responsabilidade de verificar se os serviços de engenharia são executados de forma regular, se há técnicos habilitados na condução das obras, se as normas foram observadas e se houve a emissão das Anotações de Responsabilidade Técnica (ARTs) correspondentes.

O Crea-PB realizou uma diligência técnica no condomínio, constatando a regularidade do registro, junto ao conselho, da empresa responsável pela manutenção do elevador.  “No entanto, verificou-se a ausência da ART referente aos serviços de manutenção do elevador, bem como da ART relativa ao parecer técnico emitido pelo profissional responsável. Diante das irregularidades identificadas, foram adotadas as medidas administrativas cabíveis, incluindo a lavratura dos respectivos autos de infração”, aponta o comunicado.

“O Conselho seguirá acompanhando o caso dentro de suas atribuições legais e institucionais, permanecendo à disposição das autoridades competentes para colaborar com os esclarecimentos técnicos necessários”, finaliza o Crea-PB.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 15 de maio de 2026.