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Prevenção é melhor arma de combate

publicado: 15/05/2026 09h03, última modificação: 15/05/2026 09h03
Evitar o acúmulo de água parada é a principal estratégia; trabalhos ainda incluem fumacê e armadilhas para mosquito
2026.05.14 Focos de arboviroses © Leonardo Airel (1).JPG

Residente do bairro Altiplano, Marcelina Moraes toma cuidado para não deixar água parada nos vasos de suas plantas | Foto: Leonardo Ariel

por Samantha Pimentel*

O acúmulo de água parada em objetos e recipientes como pneus, vasos de plantas e garrafas é a principal causa de proliferação do mosquito Aedes aegypti e aumento dos casos de dengue, chikungunya e zika. Neste ano, a Paraíba registrou, até o começo deste mês, 2.489 casos prováveis dessas doenças, além de um óbito por dengue confirmado, de acordo com o Boletim Epidemiológico no 5 de 2026, divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde (SES-PB). Apesar do alerta para a prevenção que os números trazem, ainda é possível observar, espalhados em João Pessoa, pneus e outros itens que podem acumular água, sobretudo após as recentes chuvas — conforme verificado pela equipe do jornal A União, em circulação pelo município.

Para prevenir a proliferação da doença e combater os focos do mosquito da dengue, o trabalho dos agentes de combate às endemias (ACEs) é fundamental. Em João Pessoa, segundo a gerente de Vigilância Ambiental da Prefeitura Municipal (PMJP), Juliana Trigo, são 400 profissionais atuando, distribuídos por cinco distritos da cidade. “Esses agentes diariamente visitam imóveis, e a gente trabalha com o LIRAa [Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti], uma metodologia do Ministério da Saúde. Também temos as Ovitrampas [Armadilhas de Oviposição] para monitoramento das arboviroses, em que a gente instala armadilhas em alguns imóveis, consegue monitorar a quantidade de ovos e faz a inspeção quando há um grande índice em uma determinada região”, afirma.

Juliana destaca que os ACEs visitam as residências com periodicidade de dois a três meses, e fazem trabalhos educativos em escolas e instituições. Também há uma parceria com o Governo do Estado para circulação do carro fumacê em bairros que estão com maior índice de casos. “Mas o maior parceiro nosso é o próprio morador da residência, que tem que cuidar do seu quintal”, reforça.

Pneus a céu aberto são criadouros para o Aedes aegypti | Foto: Evandro Pereira

A produtora cultural Marcelina Moraes, que reside no bairro Altiplano, conta que cultiva muitas plantas em sua residência. Por isso, o cuidado para não haver acúmulo de água e focos de mosquito da dengue é diário. “Às vezes, fica [água em] algum pote ou um brinquedo de criança, então tem que ter essa atenção todo dia. Alguém da casa sempre tem que estar olhando porque, nesse período de muitas chuvas, junta água rápido. [Isso] requer muita atenção, e cada um tem que fazer sua parte em casa, para que a gente evite essas doenças”, ressalta.

Segundo Marcelina, nesta mesma semana, ela encontrou um vaso cheio de água, que não escorreu devidamente e já estava criando focos do mosquito. “Joguei água sanitária para matar as larvas, deixei o tempo de agir devidamente e depois descartei a água”, relata. A produtora cultural também diz que, há cerca de cinco ou seis meses, não recebe visita dos ACEs em sua residência.

Já Maria do Rosário Cândido, moradora do bairro Valentina, relata que sempre teve cuidado de manter os vasos de planta e a piscina limpos e livres de focos do mosquito. Ela afirma que ninguém em casa teve dengue, chikungunya ou zika. “A maioria das minhas plantas está direto na terra, já para evitar juntar água. Outras que estão em vasos eu deixo escorrer e já seco logo depois”, comenta.

Denúncias

A população de João Pessoa pode denunciar possíveis focos do mosquito por meio do Disk Dengue, ligando para os números
(83) 3213-7781 e (83) 3213-7782. Já o contato (83) 99395--1971 está disponível para WhatsApp e permite também o envio de fotos e vídeos dos possíveis criadouros. Por meio dos mesmos canais, a população ainda pode tirar dúvidas com profissionais da Gerência de Vigilância Ambiental. O horário de funcionamento desse serviço é de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h às 17h.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 15 de maio de 2026.