Os vendedores ambulantes de João Pessoa têm encontrado diversas dificuldades para trabalhar, o que motivou a realização de diversos protestos nos últimos dias. Somente nesta semana, ocorreram dois, na Lagoa do Parque Solon de Lucena e no Busto de Tamandaré. Embora algumas reuniões com representantes da prefeitura tenham sido realizadas desde então, nenhuma solução concreta foi apresentada.
No caso da Lagoa, ambulantes do terminal de ônibus realizaram protestos na última segunda-feira (11) após serem impedidos de trabalhar e terem mercadorias apreendidas. Houve a imposição de pagamento de uma taxa de mais de R$ 5 mil para que o material fosse devolvido. Para a presidente da Associação dos Ambulantes e Trabalhadores em Geral da Paraíba (Ameg-PB), Márcia Medeiros, a cobrança é desproporcional.
“Esse protesto aconteceu com o pessoal que vende pipoca, água, refrigerante, coisas pequenas. E o lucro deles é muito pequeno, são centavos, a exemplo de comprar uma pipoca por R$ 1,70 e vender por R$ 2. O motivo do protesto é que, naquela região, foram apreendidas por volta de seis mercadorias de trabalhadores, dentre elas de pessoas muito vulneráveis, humildes, que tiveram casas inundadas. Então, a gente pediu que essa mercadoria fosse devolvida”, explicou Márcia Medeiros.
Segundo ela, a gestão municipal foi solidária e comprometeu-se a encontrar uma forma legal de devolver a mercadoria sem pagamento, mas, até o fechamento desta edição, isso ainda não havia acontecido. Márcia relatou, ainda, que entregou ao superintendente de Mobilidade Urbana da capital, Marcílio do HBE, um projeto para regularização e padronização dos ambulantes do terminal, de forma que eles não atrapalhem o trânsito de veículos nem de pedestres e possam continuar prestando serviços.
Busto de Tamandaré
Dois dias depois, na quarta-feira (13), foi a vez de os ambulantes da área do Busto de Tamandaré realizarem um protesto. Muitos deles estão impedidos de trabalhar devido a um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) realizado entre a prefeitura e o Ministério Público da Paraíba (MPPB), assinado em 2023. Os manifestantes queixam-se, contudo, de um rigor excessivo no acordo.
“O TAC diz que eles [os trabalhadores ambulantes] não podem parar, não podem estacionar, têm que ficar o tempo inteiro caminhando, e o equipamento de trabalho tem que estar preso ao corpo. Tem gente com mais de 30 anos naquela região, que vende espetinho, mas como ela vai prender o espetinho ao corpo?”, comentou Márcia, para quem prender a mercadoria também fere a dignidade do trabalhador.
Josemar Muniz, que também integra a Ameg-PB e faz parte desse grupo de ambulantes, conta que mais de 100 pessoas, de 75 famílias, ficaram sem trabalho diante da situação. Ele afirma que os ambulantes pedem a designação de áreas onde possam trabalhar, de forma organizada, sem prejudicar a vegetação de restinga presente na praia, o que seria uma preocupação do MPPB.
Tanto Márcia quanto Josemar afirmaram que a prefeitura de João Pessoa mostrou-se solícita e disposta a tentar resolver o problema, sendo que, para isso, agendaria uma reunião com a promotora do Meio Ambiente, Cláudia Cabral. Procurada pela reportagem de A União, a assessoria de comunicação do MPPB informou, todavia, que, até o fechamento desta edição, não havia nenhuma reunião marcada.
A reportagem também entrou em contato com as assessorias da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e da Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana para buscar informações sobre a situação, mas não obteve resposta.
Mercado Central
Ainda no início deste mês, 32 comerciantes do Mercado Central realizaram protesto após receberem uma ordem para desocupar o local em até 72 horas, para permitir a reforma da área. Após a manifestação, eles foram recebidos pelo prefeito Leo Bezerra, que garantiu a permanecência do grupo em seus locais de trabalho enquanto não for definida outra área que possa ser ocupada durante a reforma.
“A prefeitura está avaliando o local onde a gente propôs essa mudança. Uma das angústias desses trabalhadores é que eles estão no Mercado Central há mais de 30 anos e, de repente, eles poderiam sair de lá sem nenhuma perspectiva de volta. Porque, geralmente quando acontecem as reformas, as pessoas só voltam quando elas são permissionárias”, finaliza Márcia Medeiros.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 16 de maio de 2026.