O bairro mais populoso de João Pessoa, Mangabeira, abriga um dos logradouros comerciais mais conhecidos da cidade: a Avenida Josefa Taveira. Considerado uma espécie de subcentro urbano, o local reúne importantes pontos de referência, como o Mercado Público do bairro, agências bancárias e dos Correios, além de concentrar uma ampla variedade de atividades comerciais, incluindo lojas de colchões e roupas, farmácias, açougues, restaurantes, lanchonetes e estabelecimentos de venda de frutas, verduras e legumes.
Nesse contexto, o intenso movimento de comerciantes e transeuntes extrapola os limites das calçadas e avança sobre o asfalto, resultando em um fluxo constante, elevado e desordenado de pedestres, bicicletas, motocicletas, carros e caminhões, o que costuma causar alguns transtornos.
Quem chega à avenida pelo trecho inicial, vindo do bairro dos Bancários, logo percebe a dificuldade causada pelas longas filas de carros. A via possui duas faixas em cada sentido, sendo uma delas exclusiva para ônibus. Ainda assim, é comum ver motoristas utilizando indevidamente essa faixa, além de motocicletas ocupando o espaço de forma irregular, tanto em circulação quanto estacionadas.
A avenida também não dispõe de faixa exclusiva para bicicletas, assim, esses veículos acabam misturando-se aos automóveis em um fluxo intenso. O resultado é um cenário de congestionamento e desorganização, intensificado, principalmente, nos horários de pico.
Morador do bairro há duas décadas, Eribaldo Santos afirma que a Avenida Josefa Taveira apresenta diversos problemas de organização e sinalização. Segundo ele, o local é “desmantelado”, sobretudo no trecho onde há um sinal de trânsito e uma faixa de pedestres, frequentemente desrespeitados por motoristas. Eribaldo relata que veículos param de forma irregular, não dão prioridade aos pedestres e que o semáforo está quebrado. Para o morador, a situação exige melhorias efetivas, com a recuperação adequada da sinalização, já que os consertos realizados não resolveram os problemas.
Há mais de 35 anos como proprietário de um negócio de carnes na avenida, Severino Apolinário acompanhou a evolução do caos no local. “Mangabeira cresceu muito. Uma rua principal como esta, em horário de pico, é bem complicado. O problema aqui é estacionamento; até para comprar fica mais difícil, porque não tem como estacionar. Botaram faixa azul, foi mesmo que nada, porque o povo não respeita”. Ele mora em uma rua lateral à avenida, e reclama das dificuldades, “Principalmente no dia de feira; aos sábados e domingos é mais difícil”, complementa.
Jarmeson Silva mora em Cruz das Armas, mas é cliente de um açougue na avenida. Cerca de duas vezes na semana ele segue para a Josefa Taveira de carro ou de moto. Ao contrário de Apolinário, para ele, não há mais horário de pico no local, toda hora é muito cheio. “Aqui a opção é muito pouca para a gente poder deixar o automóvel. Tem que sair procurando brechinha para encaixar o nosso transporte”. Para ele, uma das possíveis melhorias seria a reestruturação das ruas paralelas, com a destinação de parte do fluxo de veículos para essas vias.
Maria Clara Adelino trabalha em uma casa de apostas, na principal, há cerca de cinco anos, e acha que o trânsito no local é “ruim demais”. “O sinal fecha, mas os carros passam por cima do povo, só falta bater nas pessoas; sempre tem confusão e acidentes também. Muita moto, muito carro e bicicletas”.
A comerciante comentou, ainda, sobre o funcionamento de um sinal de trânsito próximo ao local onde trabalha. De acordo com ela, embora o equipamento esteja em operação, o tempo liberado para a travessia é muito curto, em torno de cinco segundos. A jovem avalia que seria necessário ampliar esse intervalo, além de reforçar a fiscalização, com a instalação de mais câmeras e aplicação de multas, medidas que, em sua opinião, poderiam aumentar o respeito às regras de trânsito.
Semob
A equipe de reportagem do jornal A União entrou em contato com a Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana (Semob) para que comentasse sobre as queixas da população do bairro. Segundo a Semob, a Prefeitura de João Pessoa tem ciência dessas reclamações sobre a situação do trânsito na Avenida Josefa Taveira.
Além disso, a Semob informou, por meio da sua assessoria de comunicação, que diariamente são feitas rondas de fiscalização e que há um projeto para que seja construído um binário no local que está em fase de discussões internas.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 16 de janeiro de 2026.