A escolha da mochila é uma das mais empolgantes no início de um ano letivo: a estética do produto é utilizada como um acessório, que comunica a personalidade e combina com o estilo do aluno, normalmente uniformizado para a escola. Entretanto, o peso dos materiais, transportados diariamente dentro dela, pode afetar a saúde ortopédica de crianças e adolescentes, causando problemas de postura, desvios e dores crônicas. Na Paraíba, neste mês de janeiro, uma lei que determina o peso máximo das mochilas escolares entrou em vigor.
Conforme a legislação, sancionada em outubro de 2025, o limite de peso do material transportado não pode ultrapassar 5% do peso corporal das crianças matriculadas na Educação Infantil. Já para aqueles inscritos no Ensino Fundamental ou Médio, a porcentagem passa a ser de 10%. Os utensílios que excederem o resultado desse cálculo ficam sob responsabilidade das escolas, que podem guardá-los em armários individuais ou compartilhados. A Coordenação Pedagógica das instituições pode, também, definir o material que deve ser carregado dia após dia, a fim de manter o peso dentro do limite permitido. O cumprimento da norma será fiscalizado pelo Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) estadual e municipal.
Segundo o ortopedista Luís Antônio Borba, na hora de escolher uma mochila, o melhor é optar por modelos de alças largas, ergonômicos, acolchoados e com cinto abdominal. “Vejo pouca gente utilizando as duas alças, e ainda menos pessoas usando o cinto, mas esses elementos contribuem para distribuir o peso do material e manter a coluna ereta”. Outro aspecto importante é o tamanho da mochila em relação às costas da criança. “O ideal é que fique cinco centímetros acima da linha da cintura, nunca abaixo dela”, explica o médico.
Para mochilas de carrinho, Luís recomenda comprar uma versão com puxador ajustável. “A posição que a gente assume ao puxar esse modelo de bolsa também exige um certo esforço da coluna, então é necessário acertar o tamanho do puxador, para que a criança possa manter o braço esticado e carregar o peso a uma distância confortável, sem prejudicar o equilíbrio”.
Em busca da mochila perfeita para o filho, Bianca Teodósio, mãe de Emanuel, diz que sempre confere a qualidade e o custo-benefício do produto, que precisa ser duradouro. O mais importante, no entanto, é garantir a saúde e a comodidade da criança. “Meu filho é autista não verbal, então escolher um material confortável para ele é muito importante para nós. Mas acredito que é necessário prestar atenção em todas as crianças, se elas mostram algum sinal de dor ou desconforto por carregar os materiais, para evitar que elas desenvolvam algum problema depois”, declara.
De acordo com Thalita Mello, dona de uma papelaria, no bairro da Torre, em João Pessoa, pais e filhos tentam conciliar a funcionalidade com a estética do produto na hora da compra. “Os pais dos mais novos preferem as mochilas de carrinho, para aliviar o peso que os filhos carregam, mas mesmo as crianças pequenas têm preferido os utensílios com alças, que são mais associadas aos adolescentes. É como se a infância estivesse passando mais rápido. No lugar da mochila, algumas meninas pedem bolsas shopper (um modelo grande e espaçoso, com duas alças para carregar em um ombro ao na mão), que consideram mais modernas,” pontua a comerciante.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 16 de janeiro de 2026.