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Carros em mau estado têm mais risco

publicado: 20/10/2026 08h57, última modificação: 20/10/2026 08h57
Conduzir veículos malconservados é uma infração grave, podendo ocasionar multa e perda de pontos na CNH
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Irregularidades passíveis de sanção incluem peças soltas, para-choques amarrados e pneus carecas | Foto: Alexsandra Tavares

por Íris Machado*

Lataria enferrujada, lâmpadas queimadas e para-brisas trincados podem até parecer problemas superficiais para motoristas, mas escondem riscos à segurança tanto do proprietário quanto de quem trafega ao lado de carros em mau estado de conservação. Conduzir veículos em condições precárias amplia as chances de falhas técnicas e acidentes de trânsito, segundo o Batalhão Especializado de Policiamento de Trânsito Urbano (BPTran) de João Pessoa. O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) considera a prática uma infração grave, capaz de gerar multas e levar à perda de pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

“Um pneu careca e uma suspensão quebrada aumentam muito a chance de um acidente na via. Isso não coloca em risco apenas a vida do motorista e dos passageiros do veículo, mas também de pedestres, ciclistas e outros condutores que estão compartilhando a via. Lâmpadas queimadas, durante o período noturno, podem prejudicar a visibilidade do condutor e causar acidentes. Peças soltas, para-choques amarrados ou um excesso de fumaça saindo pelo escapamento, tudo isso pode ser observado e, posteriormente, tanto pode ser aplicada a sanção administrativa pecuniária — a multa — como pode ser dado um prazo para que as irregularidades sejam sanadas”, explica o tenente Ubaldo, coordenador de Policiamento do BPTran da capital.

Isso não se aplica a carros antigos que estejam com a manutenção em dia. Nos demais casos, as penalidades incluem uma multa pecuniária no valor de R$ 195,23, o desconto de cinco pontos na CNH e a retenção do veículo até a regularização da situação. “Não é necessário esperar a peça quebrar ou o pneu estourar para fazer a troca. É preciso fazer sempre uma manutenção preventiva, as revisões periódicas de freio e de suspensão, porque o trânsito começa na garagem de casa. Um veículo bem revisado em um mecânico de confiança é uma garantia de que você vai chegar ao seu destino em segurança e proteger a vida de quem está ao seu redor”, enfatiza o tenente. 

Foto: Carla Miranda

Quem também reforça a orientação é o mecânico Luciano Guedes. Sem a manutenção adequada, defeitos na estrutura do veículo provocam falhas nos freios, perdas de controle da direção e acidentes. “Quando qualquer alerta é aceso no painel, isso indica que o carro deve parar de circular até passar por reparos. A insistência em permanecer em circulação, com esses alertas acesos, pode causar riscos para o equipamento e para o veículo. Temos a situação [possível] de incêndio, de travamentos de peças, de perda total de sistemas e também o risco de morte”, alerta.

 Essa displicência, segundo o especialista, consiste em um dos principais motivos pelos quais veículos entram em chamas nas rodovias que cortam o estado. Ignorar as revisões preventivas, necessárias a cada 10 mil km rodados, facilita a destruição de peças internas do motor. A recomendação de Luciano é verificar regularmente as condições elétricas e mecânicas do automóvel, além dos fluidos e lubrificantes — e não acumular vários problemas para serem solucionados de última hora.

“Quando a gente não tem o recurso necessário para realizar grandes montas, nós ‘atacamos’ por pequenas montas: estar sempre atento a lâmpadas, aos fusíveis, à condição da bateria — se estiver suja, limpar os terminais. Temos que estar atentos ao freio — não se brinca com freio — e observar a coloração do sistema do fluido de freio. A cada 5 mil ou 10 mil km, de acordo com o fabricante, é preciso fazer a troca do fluido do motor, não deixando para amanhã”, aconselha Luciano.

Ele também enfatiza a revisão do sistema de injeção eletrônica e dos bicos injetores, assim como da limpeza e da manutenção adequada das velas, dos cabos e das bobinas. Nos pneus, o alinhamento, o rodízio e o balanceamento regulares previnem o desgaste excessivo e garantem maior durabilidade. “Isso evita muita coisa e traz economia e durabilidade dos pneus. Dá uma qualidade de vida para esse veículo e com baixo custo”, orienta o mecânico.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 20 de outubro de 2026.