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Chuvas provocam alagamentos em JP

publicado: 15/05/2026 09h00, última modificação: 15/05/2026 09h00
Alto volume de precipitações levou Governo Federal a repassar R$ 6,18 milhões ao estado para ações de recuperação
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Avenida Sanhauá, nas imediações da sede da CBTU, foi um dos pontos mais afetados, causando lentidão no trânsito | Foto: Evandro Pereira

por Pedro Alves*

Com as chuvas fortes que caíram da noite da última quarta-feira (13) até ao início da tarde de ontem, muitas ruas da capital ficaram alagadas, dificultando substancialmente o trânsito de pedestres, motoristas e motociclistas em algumas vias da cidade. O mês de maio, por sinal, tem sido de muitas precipitações em todo o estado, o que levou o Governo Federal a repassar

R$ 6.188.756 milhões à Paraíba, para ações de resposta e de recuperação de infraestrutura danificada ou destruída por desastres.

A autorização do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional consta na Portaria no 1.569, publicada, nesta semana, no Diário Oficial da União. O valor será repassado em parcela única, por meio de transferência legal prevista no Orçamento Federal para ações de proteção e recuperação de infraestrutura afetada.

O prazo estabelecido para a execução das medidas é de 180 dias. Pela norma, os recursos devem ser aplicados exclusivamente nas ações previstas no processo inserido no Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD) e aprovado pelo Governo Federal.

Ontem, um dos pontos mais alagados da capital foi a Avenida Sanhauá, no Varadouro, nas imediações da sede da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) em João Pessoa, o que gerou bastante transtorno e trânsito muito lento. Moradores do bairro da Torre também relataram, nas redes sociais, que muitas ruas do bairro ficaram inundadas. Houve, ainda, muito congestionamento nas saídas da cidade, nos acessos para Cabedelo e Bayeux — algo comum em dias de muitas precipitações na Região Metropolitana.

Alerta renovado

Ainda ontem, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) renovou o alerta amarelo de chuvas intensas para toda a Paraíba até o fim da noite de hoje. O aviso corresponde a perigo potencial de precipitações intensas.

De acordo com o órgão, a situação corresponde a um potencial de chuvas de 20 mm/dia a 50 mm/dia, com ventos intensos de 40 km/h a 60 km/h. O Inmet explica que, nesses casos, há baixo risco de corte de energia elétrica, queda de galhos de árvores, alagamentos e descargas elétricas.

Orientações

A Defesa Civil orienta a população a adotar medidas de segurança, como não se abrigar embaixo de árvores, não atravessar trechos alagados, não estacionar veículos próximo a torres de transmissão ou placas de propaganda, não utilizar aparelhos eletrônicos ligados à tomada e abandonar locais de risco a qualquer sinal de anormalidade.

Força-tarefa monitora áreas de risco e cria plano de contingência em CG

O Governo da Paraíba, por meio de uma força-tarefa integrada por órgãos estaduais, está realizando ações de monitoramento e prevenção de possíveis desastres naturais em Campina Grande. O trabalho envolve levantamento topográfico, atualização do mapa de áreas de risco, identificação de ameaças e vulnerabilidades, além do cadastramento de famílias residentes em regiões consideradas sensíveis.

Equipes visitam regiões cortadas por canais urbanos | Foto: Divulgação/Secom-PB

A ação é coordenada por um gabinete de monitoramento de risco hidrológico, criado para acompanhar a situação dos principais cursos d’água e áreas de inundação da cidade. Participam equipes da Defesa Civil Estadual, da Agência Executiva de Gestão das Águas da Paraíba (Aesa), do Corpo de Bombeiros Militar da Paraíba, do Instituto de Polícia Científica (IPC), do Escritório de Representação Institucional do Governo do Estado em Campina Grande e de outros órgãos parceiros.

Dentre os trabalhos executados, estão o mapeamento de áreas sujeitas a alagamentos, inspeções técnicas em comunidades vulneráveis, monitoramento de açudes e cursos d’água, além do levantamento de informações sociais das famílias que vivem em áreas de risco. Os dados coletados subsidiarão a construção do Plano de Contingência, que será encaminhado aos órgãos municipais para definição de ações preventivas e respostas emergenciais.

Com apoio de drones e equipamentos de monitoramento, as equipes atuam em diversos pontos da cidade, incluindo regiões cortadas pelos canais e riachos urbanos, como o Riacho das Piabas, Canal do Prado e áreas próximas ao Açude Velho e Lagoa do Acauã. O objetivo é antecipar cenários de risco diante da aproximação do período chuvoso mais intenso.

A Aesa também participa da operação por meio de sua rede estadual de monitoramento meteorológico e hidrológico, realizando o acompanhamento das chuvas e emitindo alertas preventivos para auxiliar as equipes de Defesa Civil e Corpo de Bombeiros em possíveis ações emergenciais.

Anderson Pila, que é secretário-executivo de Articulação Política da Paraíba e responsável pelo Escritório de Representação Institucional do Governo do Estado em Campina Grande, destacou que o Estado vem cumprindo seu papel de prevenção e monitoramento permanente da situação hídrica da região. “Criamos um gabinete de monitoramento de risco hidrológico reunindo diversos órgãos estaduais para acompanhar de perto a situação de Campina Grande. Estamos realizando um trabalho técnico sério, preventivo e integrado”, garantiu.

Segundo Ruiter Sansão, da Defesa Civil do Estado em Campina Grande, foram identificados alguns pontos que precisam de atenção. “O Governo do Estado está monitorando os açudes do Planalto da Borborema, acompanhando o volume das chuvas e atuando para antecipar possíveis problemas. Todo esse levantamento será encaminhado aos órgãos municipais para que as medidas necessárias também sejam adotadas”, apontou.

Rede de drenagem da região das Três Lagoas é desobstruída na capital

A Prefeitura de João Pessoa concluiu, na noite da última quarta-feira (13), a desobstrução da rede de drenagem da região das Três Lagoas, após uma semana de trabalho e mobilização de equipes da Secretaria de Infraestrutura (Seinfra). O sistema estava comprometido pelo acúmulo de resíduos descartados de forma irregular, dentre eles quatro portas de geladeira e outros materiais metálicos, que causaram alagamentos após chuvas.

De acordo com o secretário de Infraestrutura, Rubens Falcão, cerca de 50 trabalhadores participaram da operação de desobstrução do trecho ligado ao Rio Jaguaribe, principal curso d’água urbano que corta a capital e que exerce papel estratégico no sistema de drenagem, funcionando como um reservatório natural durante períodos de chuvas intensas. 

Seinfra removeu resíduos descartados irregularmente | Foto: Renata Medeiros/Secom-JP

“Detectamos que a água das Três Lagoas não estava chegando ao Jaguaribe, o que provocou a redução do nível do rio e gerou preocupação entre os moradores do Jardim Veneza, região que já sofreu com grandes inundações em 2019. Mobilizamos toda a equipe da Seinfra, junto às empresas especializadas, e identificamos, com surpresa, quatro portas de geladeira dentro da tubulação”, explicou o secretário.

Rubens Falcão apontou, ainda, que a operação exigiu planejamento detalhado e atuação de alto risco. “A tubulação cruza a BR-230 a cerca de 9 m de profundidade, o que tornou o trabalho bastante complexo. Paralelamente, a Defesa Civil, em conjunto com outras secretarias, adotou medidas preventivas no Jardim Veneza, já que o aumento do nível da água acionou o alerta para risco de alagamentos”, acrescentou.

O trabalho de remoção durou cinco dias e incluiu a limpeza completa da tubulação, permitindo que o sistema das Três Lagoas voltasse a operar normalmente, drenando a água para o Rio Jaguaribe. Durante a ação, as equipes também retiraram outros materiais, como capacetes, plásticos e galhos de árvores. Com a conclusão do serviço, o nível do rio voltou à normalidade, eliminando o risco imediato de alagamentos no Jardim Veneza.

Ontem, o prefeito Leo Bezerra inspecionou o local e destacou a continuidade das ações, em todas as regiões da cidade, para minimizar os danos provocados pelo volume de chuvas registrado nas últimas semanas na capital. “As famílias podem agora desfrutar de noites tranquilas, com a certeza de que as águas não atingirão suas residências. Nossas equipes continuarão trabalhando em regime de plantão, visando o bem-estar e o conforto de nossa população”, afirmou.

O gestor também vistoriou áreas do entorno das Três Lagoas, no Jardim Veneza, onde conversou com famílias residentes e determinou a realização de um trabalho específico de dragagem e limpeza das lagoas.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 15 de maio de 2026.