Junto com órgãos estaduais e municipais, o Ministério Público da Paraíba (MPPB) anunciou a criação de uma força-tarefa especial para combater o vazamento de esgoto identificado em praias de João Pessoa. O projeto foi uma das providências definidas em uma reunião promovida ontem, na capital, para buscar soluções para o problema. Ocorrido na sede do MPPB, o encontro contou com representantes da Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema), da Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa), da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) e das secretarias municipais de Infraestrutura (Seinfra) e de Meio Ambiente (Semam).
Diante do derramamento de efluentes nas praias de Tambaú, Manaíra e Bessa, que têm prejudicado a balneabilidade e colocado em risco a saúde da população, um grupo de trabalho foi montado pelas autoridades para fiscalizar irregularidades na orla, com o objetivo de identificar e punir empresas que estejam lançando esgoto na rede pluvial e responsáveis por ligações clandestinas. “Discutimos ações imediatas, de médio e longo prazo. O grupo de trabalho vai intensificar a fiscalização e agir em várias frentes, para que tenhamos um resultado concreto”, comentou o procurador-geral de Justiça, Leonardo Quintans.
Denominada Grupo Técnico Orla Limpa, a iniciativa também contará com canais de comunicação, para que os cidadãos possam ajudar nas atividades. “A força--tarefa vem juntamente com um site, com denúncia livre, um perfil de Instagram e um contato de WhatsApp. Estamos colocando o controle social próximo a todas as instituições envolvidas, com a coordenação e a parceria do Ministério Público”, afirmou a promotora Cláudia Cabral.
“Os estabelecimentos comerciais que não se adequarem ao plano de saneamento serão responsabilizados em todas as esferas: civil, criminal e administrativamente”, acrescentou.
Responsável por operar o sistema de esgotamento sanitário de João Pessoa, a Cagepa garantiu que atua para atender as demandas rapidamente. De acordo com Isaac Fernandes, diretor-presidente da Companhia, as equipes chegam a resolver uma média de 30 obstruções em um tempo estimado de 20 minutos. “Ao tomar conhecimento de qualquer problema, a Cagepa envia suas equipes e imediatamente o corrige. Quanto aos problemas que vimos recentemente — se, em algum momento, houve contribuição de algum extravasamento de poços de visita —, também foram sanados a partir da manutenção”, garantiu Isaac.
O entendimento da necessidade da ação coletiva promoveu o engajamento mútuo entre os órgãos municipais e estaduais. “A gente tem buscado somar esforços. O intuito é que isso seja um trabalho colaborativo, com o Governo da Paraíba, a Prefeitura e os órgãos competentes”, afirmou a titular da Semas, Rafaela Camaraense.
Regeneração
Mesmo diante dos riscos de contaminação, a natureza possui um poder de regeneração o qual permite que as praias possam voltar a ser frequentadas por banhistas rapidamente. Foi o que constatou a Sudema, em testes de análise de água feitos nos locais onde os vazamentos foram registrados. “Hoje, na análise de balneabilidade que se faz, são poucos os trechos impróprios. É fruto do trabalho que já foi iniciado, ao qual daremos continuidade, de forma mais agressiva, para identificar quem está lançando esgoto nas galerias”, finalizou Marcelo Cavalcante, superintendente da Sudema.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 09 de janeiro de 2026.