Notícias

precipitações

João Pessoa acumula 413,2 mm, 46% acima da média histórica

publicado: 14/05/2026 09h04, última modificação: 14/05/2026 09h04
Ponte entre Valentina e Mangabeira_f. evandro (5).JPG

Chuvas provocaram alagamentos e trouxeram prejuízos | Foto: Evandro Pereira

por Samantha Pimentel*

A capital paraibana vem registrando chuvas constantes nos últimos dias. Segundo dados da plataforma convencional 82798 do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), já foram acumulados 413,2 mm de precipitações em João Pessoa neste mês de maio. O número está 46,52% acima da média histórica para o período, que é de 282 mm, conforme o Inmet. No começo do mês, o volume de chuvas provocou o aumento do nível de rios, gerando alagamentos, além de desastres e prejuízos para diversas famílias.

Segundo Carmem Becker, meteorologista da Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba (Aesa), o período mais chuvoso no leste do estado, que abrange as regiões do Litoral, Brejo e Agreste, concentra-se nos meses de abril, maio e junho. As precipitações vistas agora, portanto, são esperadas nessa época. Já o aumento do volume pluviométrico no começo do mês dá-se devido à intensidade dos ventos soprados do Oceano Atlântico em direção ao continente.

Nos próximos dias, especialmente no período da noite, a região litorânea deve registrar chuvas moderadas e persistentes. “Durante o dia, a tendência é de que se reduza, e, à noite, as chuvas voltem a ocorrer. Porém, essas chuvas já são típicas dessa época do ano”, ressalta Carmen. Na transição do outono para o inverno, o tempo tende a maior instabilidade, podendo variar entre chuva, céu nublado e sol.

Já durante o inverno, que começa no dia 21 de junho, a tendência é que continue chovendo na região, dentro ou um pouco acima da média, e que o tempo se mantenha úmido. “A temperatura no estado também tende a diminuir bastante, sobretudo em áreas como o Agreste e Brejo”, aponta Carmen.

Defesa Civil

Em virtude da execução do serviço de desobstrução da tubulação de drenagem pluvial das Três Lagoas, obstruída por lixo e resíduos sólidos, o que gerou transbordamento e alcançou a comunidade, a Coordenadoria de Proteção e Defesa Civil de João Pessoa (Compdec-JP) atendeu 100 famílias do bairro Jardim Veneza. Destas, 80 estão sendo encaminhadas temporariamente ao programa de auxílio-moradia por 30 dias, 19 seguem monitoradas e uma idosa foi institucionalizada, na Casa de Passagem do Idoso, até que o benefício seja liberado.

Durante o período de maior incidência de chuvas, a Defesa Civil orienta a população a não se abrigar debaixo de árvores, não atravessar trechos alagados, não estacionar veículos próximo a torres de transmissão ou placas de propaganda, não utilizar aparelhos eletrônicos ligados à tomada e abandonar locais de risco a qualquer sinal de anormalidade.

A Defesa Civil funciona 24 horas por dia, inclusive aos sábados, domingos e feriados, e, em caso de necessidade, deve ser acionada pelo WhatsApp 98831-6885, pelo telefone 199, ou pelo aplicativo João Pessoa na Palma da Mão.

Força Nacional do SUS visita cidades afetadas

Na última terça-feira (12), uma equipe da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) foi recebida por técnicos das secretarias de Estado da Saúde (SES-PB), Educação (SEE-PB) e Desenvolvimento Humano (Sedh), para tratar do encaminhamento das ações a serem desenvolvidas nos municípios mais atingidos pelas enchentes recentes. A força é um programa do Ministério da Saúde criado para atuar em emergências de saúde pública, calamidades públicas, desastres naturais ou situações de desassistência.

De acordo com a gerente--executiva de Atenção à Saúde, Izabel Sarmento, foi feito um alinhamento quanto às visitas técnicas e apoio aos municípios atingidos. “Estaremos até sexta-feira [15] fazendo visitas aos municípios de Conde, Santa Rita, Mulungu e Rio Tinto. Logo após, realizaremos ações de planejamento e de execução de um plano direcionado ao apoio desses municípios”, informou.

No primeiro dia de agenda, as equipes foram até o município de Conde. Na cidade, foram afetadas 6.012 pessoas, sendo 133 desalojadas — o que inclui as que precisaram deixar suas casas para morar com familiares, amigos ou conhecidos — e 53 desabrigadas, atualmente vivendo em casas alugadas pela prefeitura.

Na área da saúde, o maior impacto decorrente da enchente foi o aumento das síndromes respiratórias agudas (SRAG), o que fez o atendimento no Pronto Atendimento aumentar de 60 para 200, diariamente. Com isso, também foi duplicado o número de médicos de plantão. Além disso, está sendo realizada uma campanha de vacina, fazendo a busca ativa daquelas pessoas que estão com o cartão desatualizado.

A prefeita de Conde falou da importância da visita dos técnicos do Ministério da Saúde e da SES-PB em seu município. “Nós sabemos que mais chuvas virão e, com isso, chegarão alguns problemas, como doenças adquiridas devido ao contato com a água, como a dengue e a leptospirose, e precisamos estar preparados para enfrentar esse quadro, e é muito importante perceber que não estamos sozinhos, principalmente em momentos como esses”, frisou Karla Pimentel.

Logo após a reunião, os técnicos visitaram a comunidade quilombola Mituaçu, uma das mais afetadas do município. Com as chuvas fortes, o Rio Gramame transbordou por cima da ponte que dá acesso ao local, deixando os moradores totalmente ilhados. Por conta de situações semelhantes a essa, em várias áreas, todas as 53 escolas do município tiveram as aulas suspensas. Agora, com a situação contornada, as aulas estão retornando de forma gradativa.

Repasse

Ainda ontem, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional autorizou o repasse de R$ 891.425 à Prefeitura de Santa Rita. Os recursos deverão ser empregados na execução de ações de Proteção e Defesa Civil, motivadas pelos impactos das chuvas.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 14 de maio de 2026.