Notícias

redução hídrica

Seca coloca açudes em nível crítico

publicado: 15/01/2026 08h53, última modificação: 15/01/2026 08h53
Estado monitora os 136 reservatórios da PB e planeja estratégias para prolongar o abastecimento de água
São Domingos.jpeg

O açude de São Domingos do Cariri, conhecido como Açude Boqueirão, está localizado em uma das regiões mais afetadas pela baixa | Foto: Divulgação/Aesa

por Nalim Tavares*

Na Paraíba, ao menos 45 açudes estão em situação crítica, operando com menos de 10% de sua capacidade total, segundo os dados mais recentes da Agência Executiva de Gestão das Águas do estado (Aesa-PB). Para entender e atenuar esse quadro de seca, especialistas combinam dados técnicos com observações locais e desenvolvem estratégias para que o abastecimento hídrico possa operar por mais tempo nas áreas atingidas.

Ao todo, são 136 açudes monitorados pela Aesa no estado. De acordo com dados divulgados pela agência, embora o início de 2026 tenha registrado um aumento de 17 reservatórios com volume crítico em relação ao mesmo período do ano passado, quando 28 açudes estavam sob essa condição, a estiagem é considerada normal para essa época do ano, em virtude das características climáticas previstas.

O subgerente de Monitoramento Quali-Quantitativo da Aesa, Wellington Barbosa, diz que, “diante das condições oceânicas e atmosféricas globais, há tendência das chuvas ocorrerem de normal a abaixo da média, com alta variabilidade espacial e temporal, sobre o semiárido paraibano, de janeiro a março de 2026”. Ainda, ao redor do mundo, temperaturas mais altas que a média têm sido registradas. Apesar disso, o estado possui 20 açudes em situação favorável e outros dois — Poções e São José II — que estão vertendo.

Segundo Giordan Rodrigues, gerente de Controle Operacional e Automação da Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa), o monitoramento dos açudes leva em conta projeções com base em níveis históricos, registro de chuvas e comportamento de vazões. Esses cálculos ajudam a prever por quanto tempo um reservatório pode abastecer uma população antes de atingir níveis críticos. Ele explica, ainda, que existe um sistema de alertas: quando um açude tem água suficiente para operar por cerca de 180 dias, ele entra em monitoramento intensivo; já abaixo de 120 dias, o risco de racionamento é maior.

Giordan também ressalta que, além dos dados matemáticos, o conhecimento prático de quem acompanha os reservatórios no dia a dia e conhece a dinâmica climática da região é essencial para ajudar a definir as ações mais adequadas. “Somando o que a Aesa monitora, o que a gente calcula, avaliando as condições médias dos últimos três anos e contando com a experiência de servidores que atuam no local monitorado, é que a decisão é tomada, entre racionar ou não,” explica. “A gente pesa os prejuízos de fazer um racionamento: só concluímos que é necessário se for possível aumentar significativamente a quantidade de dias em que a água de um reservatório continua disponível”.

Quando a análise indica que o racionamento é a melhor estratégia para prolongar o abastecimento, a população é avisada com antecedência por meio de rádios, comunicados on-line e anúncios oficiais. Comumente, em casos assim, a cidade é dividida em setores, e um cronograma de dias é definido, para abastecer cada um deles e, ao mesmo tempo, equilibrar o uso do recurso. “Por exemplo, nas segundas, terças e quartas--feiras, o ‘Lado A’ é abastecido. Nas quintas, sextas e sábados, é a vez do ‘Lado B’. Aos domingos, ambas as regiões são abastecidas”, esclarece Giordan.

Mais afetados

As regiões mais afetadas são o Cariri e o Curimataú paraibanos. Conforme informações da Aesa, em municípios como Cuité e Picuí, o volume atual de água encanada não é suficiente para manter o consumo regular da população. Na última terça-feira (13), o gerente da Cagepa Regional das Espinharas, Jonatha Raulino, também falou sobre um problema de provisão na cidade de Patos: em decorrência dos baixos níveis de armazenamento hídrico verificados nas barragens locais — o Açude Jatobá I, operando com 8,75% de sua capacidade total, e as Barragens de Capoeira e Farinha, com 7,17% e 0,80%, respectivamente —, o abastecimento da região passou a depender, principalmente, da vazão proveniente da Adutora Coremas/Sabugi.

Em situações extremas, quando o sistema de abastecimento cessa completamente, há intervenção com a Operação Carro-Pipa do Exército Brasileiro, que leva água para as comunidades mais afetadas. De acordo com o presidente da Federação das Associações de Municípios da Paraíba (Famup), George Coelho, a Operação Carro-Pipa está funcionando sem problemas, atendendo as regiões do Curimataú, Cariri, Agreste, Sertão e Alto Sertão.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 15 de janeiro de 2026.