Dengue, zika e chikungunya estão entre as principais arboviroses que afetam a Paraíba e o Brasil, todas transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti. Durante o verão, os casos dessas doenças costumam aumentar significativamente, exigindo cuidados redobrados da população.
De acordo com o Ministério da Saúde, o ambiente doméstico é o principal foco no combate à dengue, especialmente na estação mais quente do ano. O aumento dos casos no verão está relacionado à combinação do calor intenso com as chuvas típicas da estação, que criam condições ideais para que os ovos do mosquito eclodam, dando origem a milhares de novos insetos.
“O mosquito precisa de água parada para colocar seus ovos e completar o ciclo de reprodução. Por isso, eliminar os criadouros em casa e em terrenos baldios é essencial para reduzir a quantidade de casos”, explica o infectologista João Paulo Ribeiro, do Hospital Universitário Alcides Carneiro (HUAC), em Campina Grande.
Para evitar o acúmulo de água parada, é importante manter caixas d’água, cisternas e reservatórios sempre tampados. Também se recomenda colocar areia nos pratos de plantas, não acumular lixo no quintal, descartar pneus corretamente e guardar garrafas vazias viradas para baixo. Além disso, deve-se realizar a limpeza periódica de calhas e lajes para evitar acumular poças d’água. No cuidado pessoal, o uso de repelentes e roupas que cubram mais partes do corpo ajuda a prevenir picadas.
Sintomas
Caso a exposição a áreas de risco seja inevitável, é fundamental saber reconhecer os indícios da dengue. Segundo o infectologista, os primeiros sinais incluem febre, dor no corpo e nas articulações, fraqueza e falta de apetite. “Por volta do quarto dia, o paciente pode ou apresentar melhora ou piora, com sintomas mais graves como dor abdominal, vômitos, sonolência, tontura e alteração da consciência. Nesses casos, é essencial procurar atendimento médico para realizar um exame de sangue, que permite avaliar a gravidade da doença pelo aumento do hematócrito ou pela queda das plaquetas”, detalha Ribeiro.
O médico também alerta para os cuidados com a automedicação. “Muitos recorrem a anti-inflamatórios ou corticoides para aliviar as dores no corpo e articulações, mas esses medicamentos são contraindicados, especialmente nos primeiros sete dias da doença. Já analgésicos, como a dipirona, são seguros, desde que usados dentro da dose recomendada na bula”, orienta o infectologista.
Precauções
Mesmo com a redução de 48% nos casos de dengue na Paraíba em 2025 em comparação a 2024, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES-PB), o alerta contra a doença continua sendo essencial.
Para Marcella Alencar, que já viu diversos familiares sofrerem com a dengue e outras arboviroses, o cuidado é constante — especialmente porque sua casa fica em frente a um canal de água, local que costuma atrair os mosquitos. “Há mais de 10 anos, colocamos telas em todas as janelas e portas para evitar a entrada de mosquitos. Antes disso, meus pais costumavam aplicar veneno em todos os cômodos da casa praticamente todos os dias”, conta.
Além das telas, Marcella também mantém atenção redobrada com o jardim. Todos os vasos e pratos de plantas precisam estar sempre com areia, evitando o acúmulo de água parada. “Tenho cinco gatos e cheguei a comprar um recipiente maior de água para eles, para durar vários dias, mas comecei a ver larvas de mosquito e desisti da ideia. Como minha mãe teve dengue há cerca de cinco anos, fiquei muito mais atenta. Sempre que lembro, uso repelente e tomo todos os cuidados possíveis”, relata.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 17 de janeiro de 2026.