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Verão acende alerta para arboviroses

publicado: 19/01/2026 08h34, última modificação: 19/01/2026 08h34
Calor e chuvas favorecem a proliferação do vetor, exigindo atenção da população para eliminar os focos do mosquito
2026.01.16 Tempo propício para casos de dengue - Marcella Alencar © Julio Cezar Peres (4).JPG

Marcella Alencar redobra a atenção para os vasos e pratos de plantas de sua casa, ótimos depósitos para o acúmulo água | Foto: Julio Cezar Peres

por Carolina Oliveira*

Dengue, zika e chikungunya  estão entre as principais arboviroses que afetam a Paraíba e o Brasil, todas transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti. Durante o verão, os casos dessas doenças costumam aumentar significativamente, exigindo cuidados redobrados da população.

De acordo com o Ministério da Saúde, o ambiente doméstico é o principal foco no combate à dengue, especialmente na estação mais quente do ano. O aumento dos casos no verão está relacionado à combinação do calor intenso com as chuvas típicas da estação, que criam condições ideais para que os ovos do mosquito eclodam, dando origem a milhares de novos insetos.

“O mosquito precisa de água parada para colocar seus ovos e completar o ciclo de reprodução. Por isso, eliminar os criadouros em casa e em terrenos baldios é essencial para reduzir a quantidade de casos”, explica o infectologista João Paulo Ribeiro, do Hospital Universitário Alcides Carneiro (HUAC), em Campina Grande.

Para evitar o acúmulo de água parada, é importante manter caixas d’água, cisternas e reservatórios sempre tampados. Também se recomenda colocar areia nos pratos de plantas, não acumular lixo no quintal, descartar pneus corretamente e guardar garrafas vazias viradas para baixo. Além disso, deve-se realizar a limpeza periódica de calhas e lajes para evitar acumular poças d’água. No cuidado pessoal, o uso de repelentes e roupas que cubram mais partes do corpo ajuda a prevenir picadas.

Sintomas

Caso a exposição a áreas de risco seja inevitável, é fundamental saber reconhecer os indícios da dengue. Segundo o infectologista, os primeiros sinais incluem febre, dor no corpo e nas articulações, fraqueza e falta de apetite. “Por volta do quarto dia, o paciente pode ou apresentar melhora ou piora, com sintomas mais graves como dor abdominal, vômitos, sonolência, tontura e alteração da consciência. Nesses casos, é essencial procurar atendimento médico para realizar um exame de sangue, que permite avaliar a gravidade da doença pelo aumento do hematócrito ou pela queda das plaquetas”, detalha Ribeiro.

O médico também alerta para os cuidados com a automedicação. “Muitos recorrem a anti-inflamatórios ou corticoides para aliviar as dores no corpo e articulações, mas esses medicamentos são contraindicados, especialmente nos primeiros sete dias da doença. Já analgésicos, como a dipirona, são seguros, desde que usados dentro da dose recomendada na bula”, orienta o infectologista.

Precauções

Mesmo com a redução de 48% nos casos de dengue na Paraíba em 2025 em comparação a 2024, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES-PB), o alerta contra a doença continua sendo essencial.

Para Marcella Alencar, que já viu diversos familiares sofrerem com a dengue e outras arboviroses, o cuidado é constante — especialmente porque sua casa fica em frente a um canal de água, local que costuma atrair os mosquitos. “Há mais de 10 anos, colocamos telas em todas as janelas e portas para evitar a entrada de mosquitos. Antes disso, meus pais costumavam aplicar veneno em todos os cômodos da casa praticamente todos os dias”, conta.

Além das telas, Marcella também mantém atenção redobrada com o jardim. Todos os vasos e pratos de plantas precisam estar sempre com areia, evitando o acúmulo de água parada. “Tenho cinco gatos e cheguei a comprar um recipiente maior de água para eles, para durar vários dias, mas comecei a ver larvas de mosquito e desisti da ideia. Como minha mãe teve dengue há cerca de cinco anos, fiquei muito mais atenta. Sempre que lembro, uso repelente e tomo todos os cuidados possíveis”, relata.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 17 de janeiro de 2026.